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Ontem no post sobre a Feira da providência falamos dos espaços intercalados da urbanização da orla da Lagoa, que refletia a descontinuidade das administrações em relação a área.

Se a adm. Paulo Sampaio alinhou e arruou praticamente toda a Av. Epitácio Pessoa, nos anos 20, as administrações seguintes foram concluindo a Av. Borges de Medeiros em etapas, muitas vezes afastadas décadas, uma urbanização da outra. O anel só se fechou de forma consolidada no final dos anos 60.

Nessa aérea, infelizmente de baixíssima resolução, enviada pelo Carlos Ponce de Leon Paiva, temos uma geral da Lagoa no início dos anos50, aparentemente o Hospital da Lagoa ainda não existia, ou estava em construção apagado nessa tarde que caía. O que dá para foto o período anterior a 1952/55.

Vemos que a Av. Borges de Medeiros tem apenas dois pequenos trechos urbanizados. Da praça da Piaçava, hoje fragmentada pela descida dos viadutos do Rebouças até mais ou menos a Rua Alexandre Ferreira, que dava diretamente na Lagoa e outro trecho entre as Ruas Gal. Garzon e J. J. Seabra, o resto carecia de urbanização e até mesmo de forma, como a área por de trás da Favela da Praia do Pinto, onde nessa época seus anexos as Ilhas das Dragas e do Guarda começavam a ser ocupadas.

Por de trás do Jockey as margens  também eram irregulares e a via que vemos tenuamente ficava por de trás dos muros do clube. Essa inconstância de urbanização além de criticada por urbanistas, como um impencílio ao saneamento da Lagoa fomentaram o incremento das favelas, principalmente a partir do meio dos anos 50, onde a cidade sofreu um dos seus ciclos de favelização acelerada, aliás período muito parecido com os dias de hoje. Embora desde os anos 20 J. Carlos em charges já denunciava a precaria condição dos favelados em volta da Lagoa, provavelmente nos núcleos inciais da Favela da Catacumba a Praia do Pinto, as mais antigas da região. Que teve pelos menos uma dezena, removidas em várias acões desde os anos 40, mas somente erradicadas no Estado da Guanabara.