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O arquivo da Life continua nos brindando com ótimas imagens. As de hoje mostra uma região que se transformou com uma velocidade incrível.

Pouquíssima coisa sobra da mesma rua fotografada pela Life em um Carnaval de menos de 30 anos antes, mostrada por nós em Fevereiro ( http://www.rioquepassou.com.br/2009/02/19/ ). Nos anos 50 praticamente todo o lado direito da via foi ao chão junto com restos das abas no Morro do Castelo que teimavam de permanecer em pleno sub-bairro nobre do Centro, no espaço vazio onde seria uma praça pelo PA da esplanada surgiu um grande terminal de ônibus. No outro trecho os  sobrados que davam fundos a nova Av. Nilo Peçanha foram demolidos para a construção de um grande prédio de escritórios e nisso o velho tecido iria desaparecendo.

Mas essas mudanças não duraram 20 anos, o terminal se transformou num enorme edifício garagem, com galeria comercial e terminal de ônibus e a incorporadora do prédio de escritórios, a Lume Empresarial, foi personagem de uma pouquíssima explicada falência e desapareceu deixando o buraco das fundações do prédio.

Com essas transformações um lado inteiro da R. de S. José desapareceu, como podemos ver pelas fotos, se compararmos com a do final dos anos 30 ainda poderemos somar as modificações dos PAs das transversais, umas sem marcas como a das Ruas Rodrigo Silva e Carmo, outra deixando feia cicatriz como o da Rua da Quitanda.

Nsa época das fotos, a região, ainda em flagrante modicações, se perdia no novo uso, pistas feitas para carros levavam pedestres no asfalto, canteiros de obra esperavam a nova praça, e a R. de S. José, como rua via seus últimos dias, já que em menos de um ano viraria um dos primeiros calçadões de pedestres do Centro.

Na Rua da Quitanta a cicatriz em menos de 8 anos ganharia o primeiro painel artístico de grande tamanho, tentativa muito feliz em esconder essas marcas do “progresso” impensado, um poste com braço reto logo a frente, possivelmente já desativado, substituia as luminárias penduradas dos anos 40, já que um lado da rua já não existia mais. No pirulito da esquina o anúncio da Marcovan, que com várias lojas dominava o ponto comercial na R São José. A banca de jornal ostentava adesivos de vidro para todos os corações futebolísticos, bem como várias revistas, curiosamente abertas nas matérias mais interessantes da semana. Além das edições de diversas legislações da Editora Auriverde, que quebrou o galho de milhares de estudantes de direito cariocas, bem como de advogados em emergências, com seus apanhados legislativos em edições sem luxo e de baixo custo.

Na foto do terminal vemos o novo caminho da Rua da Quitanda rumo à esplanada, com postes de 9 metros novinhos, e ao lado a anacrônica e hoje desativada entrada norte do edifício garagem, que só faria sentido com uma Rua da Quitanda funcional até a Av. Pres. Vargas, o que nunca aconteceria, pois se transformaria em grande parte um grande calçadão como a Rua de São José e Sete de Setembro.