Temos hoje mais uma imagem que deve ser vista em seus pequenos detalhes, que revelam não só a progressão da urbanização da Esplanada do Castelo, como as profundas modificações que o prédio do Ministério do Trabalho sofreu, pouquíssimos anos após a sua construção.

Além do coroamento, já de conhecimento de todos, essa imagem mostra que houve modificações em seu embasamento, que respeitava o Plano Agache, fielmente, abrigando terraços sobre galerias agachianas, que emolduravam a portada monumental, em fer forgè, envolta por granito negro e atingida por uma escadaria de grande impácto, algo compatível com um “palácio dos trabalhadores”, construído num período que o Brasil flertava com o Nacional Socialismo e o Fascismo.

A retirada destas galerias, com a respectiva diminuição dos terraços, que ainda existem, é ainda menos explicada que a mudança no coroamento do edifício, que pode ser justificada por um ganho de espaço, com um maior número de pavimentos-tipo.

Fico aqui com a idéia mais racional, que o recuo do embasamento, com a respectiva perda das galerias, que existem nos prédios mais antigos junto a Av. Beira Mar, visava a respeitar a nova diretriz de PA criada. Já respeitada alí ao lado, pelo prédio do Ministério da Fazenda, em plena fase de acabamento. Bem como este novo PA foi respeitado pelos prédios seguintes, Jockey, Borba Gato, Esplanada etc… Mas, curiosamente, voltando no prédio da esquina da Rua da Assembleia, mais novo que os seus antecessores na via, hoje deslocado pelas urbanizações realizadas na área após os anos 70.

Uma das hipóteses levantadas por mim é que a remoção das galerias era uma artimanha para expor as intempéries, e até mesmo às janelas do prédio, possíveis manifestantes ou grevistas, estranho, mas com uma certa lógica.

Na rua podemos observar grandes diferenças com que tínhamos já nos anos 50, todos os dois canteiros centrais da via eram muito mais largos, deixando a via com umas 7 faixas de rolagem, nas medidas atuais. Hoje temos umas 12 faixas. Além da diminuição dos canteiros, vemos que na direita, a área junto as fraldas da derrubada colina, certamente de propriedade da Santa Casa, avançava muito mais rumo as pistas, inclusive ainda  estando não urbanizada, como estava o resto da avenida, pois além de estar no mato ainda tinha a iluminação provisória, por luminárias de prato, quando o resto da avenida já era iluminada por postes em estilo canadense, os usados na esplanada.

Numa pequena fresta da imagem, no seu extremo direito vemos que todos os terrenos, até os fundos dos prédios da Erasmo Braga, estavam desocupados, no fundo, sem muito detalhes parecemos ter o prédio da Sociedade Bíblica Americana, um dos primeiros prédios da Esplanada em forte estilo déco nova iorquino.

Novamente temos que agradecer ao amigo Carlos Ponce de Leon de Paiva o envio de mais uma magnífica imagem.