Hoje teremos como post esse postal escaneado e nos enviado pelo amigo Carlos Ponce de Leon Paiva, mostrando a orla de Copacabana vista do Posto VI possivelmente por volta de 1930/32.

A orla ainda é dominada por construções baixas, com raríssimas exceções que podem ser contadas nos dedos de apenas uma mão.

Vemos do Leme para o Posto VI o Ed. Ribeiro Moreira, mais conhecido como Ed. Ok na esquina da Praça do Lido ao seu lado o Palacete Atlântico. Pouco depois temos o Copacabana e na esquina com a Rua República do Peru o Ed. Netuno e por fim o Ed. Guarujá o maior da orla.

A foto ainda nos mostra duas construções de 4 pavimentos, erguidas ainda no final dos anos 10, que por alguns anos foram as maiores de Copacabana, o edifício construído por Rocha Miranda & Cia na esquina com a R. Siqueira Campos e o Hotel Londres, no quarteirão entre as Ruas Santa Clara e Constante Ramos. De resto vislumbramos mais uns 2 prédios no interior do bairro, no Posto II e V respectivamente.

A grande faixa de areia e o mar baixo nos indica que o fotógrafo tenha tirado essa foto em um dia de verão, daqueles de total calmaria no mar. Podemos ver também a marca da variação das marés, bem demonstrada por um cordão escuro que especulo ser vegetação ou algas trazidas pelas ondas bem fracas de depositadas na areia com a seca da maré.

A imagem mais uma vez mostra o que foi o adensamento do bairro nas duas décadas seguintes, onde o calmo balneário se transformou num adensado bairro, que se exauriu urbanisticamente nos anos 60, embora até hoje seja um dos mais práticos de se morar na cidade. Que pode ser demostrado pela escalada vertiginosa dos valores dos imóveis e a flagrante troca de habitantes, que é refletida pelas mudanças no comércio. Nunca se abriu tantas lojas dedicadas ao público infantil no bairro desde os anos 70 como também a explosão de restaurantes e bares na área entre os Postos IV e V. Embora ainda há diversos trechos de comércio decadente, notadamente em pedaços localizados da Av. Copacabana e Rua Barata Ribeiro. Bem como um urbanismo cansado, fruto do baixíssimo investimento da prefeitura já há pelo menos 3 mandatos no bairro, um dos principais arrecadadores de impostos da cidade, que vem sendo relegado a segundo plano em manutenção, fiscalização e conservação urbana.