Continuamos com nossa pequena série sobre a exposição automobilistica realizada em 1925  não só nos pavilhões remanescentes da Expo de 22, como também nas áreas livres recém conquistadas do mar pelo desmonte do Morro do Castelo.

Permanecemos nos produtos Ford, desta vez os tratores e implementos Fordson, antepassados remotos das modernas máquinas agrícolas e da construção civil. É muito curioso ver as rodas de tração dos tratores  completamente metálicas com placas metálicas rebitadas a fim de dar tração na terra fofa, mas que com certeza os impossibilitavam de andar em pisos “duros”. A propaganda ressaltava que as máquinas tinham ótima relação custo-benefício, certamente com o apelo de realizarem o serviço que muitos homens e animais fariam, em menor tempo e só usando uma pessoa na operação. Os cartazes  junto as máquinas ainda ressaltavam a intercambialidade dos arados e lâminas.

Na área em volta vemos o trecho cercado onde se realizaram as corridas de carros, usando certamente parte do que seria a Av. Beira Mar bem como a área já estendida além da Ponta do Calabouço, nessa época sem nenhuma das formas que lhe foram planejadas, o jardim monumental do Plano Agache ou as pistas de pouso do SDU.

Vemos também em volta os trilhos de trem que rumavam rumo a Glória, para a distribuição de terra do desmonte  que já não conseguia chegar tão distante conduzida apenas pelas águas que carreavam os sedimentos.

Vemos que o Saco da Glória, pelo menos perto do Russel ainda mantinha o litoral da era Passos, com uma grande enseada, mas alinhado com a Rua do Catete já aparenta haver uma área aterrada e livre. O Morro da Glória ainda estava com sua vista praticamente toda desimpedida com exceção do Hotel Glória, todas as casas no topo do morro podem ser vistas livremente bem como a igrejinha do Outeiro, vemos também em destaque a chaminé da City.

Ao fundo o Morro da Viúva está totalmente livre, com as cicatrizes dos anos de exploração de granito de suas encostas, bem como Botafogo não possui uma só construção alta. Da Urca praticamente nada notamos, somente tênues siluetas na região da Praia da Saudade.

As fotos fazem parte do álbum do evento, doado pelos expositores ao Eng. Adelstano Porto d’Ave e hoje sob a guarda de seu neto Rodolfo.