Malta documenta as obras da Adm. Carlos Sampaio na orla da Lagoa em Dezembro de  1921, obras essa que deram habitabilidade em uns 70% do litoral da laguna, com enormes aterros, supressão de áreas pantanosas, nivelamento de terrenos e o mais importante o controle da salinidade da Lagoa, pelo sistema de canais criado pelo engenheiro Saturnino de Brito, que se não funcionou incialmente de pleno, amadureceu nos transcorrer dos anos e na medida do possível regulou a salinidade das águas da lagoa, desviando a água  doce das vertentes da Tijuca diretamente para o mar e assim evitando a proliferação exagerada de algas e lodo que provocavam as mortandades que eram descritas desde o Brasil Colônia.

A obra aqui fotografava certamente é a construção do anel de arrocamento para o aterro da futura área do Jóckey, um dos maiores aterros já feitos na cidade, mas que antes dos estudos feitos por Jorge Ribeiro Leuzinger engenheiro responsável por preparar a área do Jockey, a grande área gerava mais piadas de gente como J. Carlos do que resultados, pois ao contrário dos outros trechos da Lagoa a região fronteira ao Jardim Botânico se recusava a deixar de ser um pântano, não obstante grande parte da terra vinda do Morro do Castelo ser despejada ali.

Ao fundo podemos ter uma idéia do que era a Pedra do Bahiano, que com o passar do séc. XX foi sendo recortada, emparedada e por fim sepultada pelo crescimento do bairro do Leblon, tal qual o Inhangá foi em Copacabana. Vemos ao lado a área pantanosa entre a Gávea e o Leblon e no extremo direito algumas casas já chegando na Gávea. Acho que estamos perto da antiga ponte de Tábuas, mas é uma especulação.

Podemos observar o sistema de trilhos que serviu as composições de carga que aterram toda a orla da Lagoa, um precária rede elétrica, mais a frente os vagonetes que carregavam o material, bem como na ponta do arrocamento o que parece ser a locomotiva. No chão as marcas do valente Ford T da prefeitura que servia Malta.