As duas fotos de hoje formam um oportuno post duplo com o Saudades do Rio, que mostrou onte os últimos dias de uma das velhas lojas do Café Palheta ( http://fotolog.terra.com.br/luizd:2826 )

Na foto do Saudades, mesmo em baixa resolução vemos no fundo da loja uma faixa conclamando os frequentadores a continuar sorvendo seus cafezinhos da loja localizada na Galeria dos Empregados do Comércio. Como a foto era de 1972 e as duas fotos de hoje do Sr. Gyorgy são de 1971, dá para especular, ainda mais pelo estado de últimos dias do velho prédio dos tempos da Av. Central que de fato vemos o interior do Café Palheta de nossas fotos de hoje.

As fotos além do vetusco prédio que aguarda ainda com dignidade sua demolição, talvez o fato de ser um dos prédios da primeira geração e meia da avenida, como é nítido nessa imagem ( http://www.rioquepassou.com.br/2005/10/17/av-rio-branco-final-dos-anos-20-2/ ) lhe garantiu uma sobrevida até a entrada dos anos 70, além de estar localizado num terreno irregular, não tão valorizado, mostram a frente da loja do Palheta.

A primeira foto mostra o prédio de uma das janelas do Clube de Engenharia, vemos do outro lado da rua o prédio da Generali, antes de ser retrofitado e longe do fausto dos anos 30, quando ele era um moderno arranha-céu déco ( http://www.rioquepassou.com.br/2008/12/16/loja-do-sindicato-condor-e-portaria-da-generali-seguros/ ), desfocada em primeiro plano vemos uma das típicas luminárias Thonsom do início da operação da CEE-GB quando elas foram o primeiro passo de modernização do sistema de iluminação da cidade. O tráfego engarrafado no meio da chuva é uma verdadeira orgia cromática, muito diferente da ditadura das cores escuras e do prata e preto de hoje.

As calçadas, bem tratadas mostram ainda o trabalho dos calçateiros contratados por Passos para ornar a avenida em 1906.

A segunda foto, tirada o pé da rua mostra o prédio bem de frente, vemos os dois letreiros do Palheta,  sendo o da marquise muito antigo, possivelmente dos anos 40. A fachada ostenta ainda outros letreiros de neon, já meio desbotados bem como janelas com os vidros pintados e restos de velhos toldos, num ar de decadência havaneira.

Em destaque temos um dos postes originais da Rio Branco, com a modificação dos anos 20, que retirou os 5 combustores ( na época já convertidos para luz elétrica) para dois globos, para um equipamento urbano já condenado, pois a Light saía da iluminação pública da cidade, surpreende o bom estado, com pintura nova e globos limpos, algo muito diferente dos postes de hoje, que não serão substituídos tão cedo. Temos também um pirulito de rua padrão EGB e o poste de sinal, de inspiração americana, instalados no final dos anos 50, em substituição dos velhos equipamentos dos anos 40, onde vemos os restos de um velho poste sustentando os sinais de pedestres, que curiosamente tem a travessia, regulamentada pelos tachões metálicos no asfalto, bloqueada pela grade de proteção, nela a educativa mensagem ” pedestre a grade é a sua proteção, atravesse na faixa”.

Podemos ver o mesmo local hoje http://g.co/maps/dv62y , vemos que o novo prédio respeitou o novo PA da Rua Sete de Setembro, abrindo vista para a velha edificação na esquina da Rua Rodrigo Silva, no mesmo lugar até hoje, somente a banca de jornal.

Fotos de Gyorgy Szendrodi