Essa é uma das fotos do Sr. Gyorgy Szendrodi que eu mais simpatizo, talvez pelo contraste entre o claro e escuro, a composição da foto com o fechamento do frontão da Biblioteca Nacional ou simplesmente por fotografar uma rua não muito lembrada no ângulo inverso do habitual.

Há um ar de Lower Manhatan na foto, talvez pelos postes NY que vemos na direita da foto, pela largura da rua ou pela “barca” que acende sua luz de freio no meio da via. Além da dominante BN temos em destaque a lateral do Palácio Pedro Ernesto que é iluminada pelo sol que bate no Ed. do Amarelinho. Na direita da foto  vemos a pesada marquise do Ed. Regina, revestida pelo letreiro do Cinema Orly, como também vemos o anúncio de alguma revista que passava no Teatro Dulcina. O Ed. Regina é uma dos monstros déco da região, de grande altura para sua época, que dava a ele a capacidade de abrigar em uma torre circular uma antena de rádio nos anos 30 e 40, com uma programação complexa abrigando escritórios, cinema, teatro numa modernidade ignorada pelos “papas” do modernismo brasileiro, pois afinal do Brasil foi muito moderno antes do MEC, já nos anos 20.

A foto também nos mostra a “fachada cega” do anexo do Palácio Pedro Ernesto, pois todas as janelas do estreito prédio, projetado no final dos anos 40, estão viradas para o palácio e o edifício modernista, tem a qrande qualidade de emoldurar de forma neutra o palácio de estilo eclético.

Fechando a foto as cássias da arborização original da Cinelândia, destruídas na obra do metrô.