Hoje temos um post duplo com o Saudades do Rio sobre o terreno onde hoje está o Rio Sul ( http://fotolog.terra.com.br/luizd:2839 )

Todos sabem que o terreno onde hoje se ergue o enorme centro comercial é um dos restos da antiga Fazenda do Vigário Geral da qual o Solar da Fossa, de fama tão lendária na nossa cidade, podia ser sua última construção e até mesmo os restos da sede da fazenda. Passada por testamentos a Santa Casa de Misericórdia a fazenda foi sendo desmembrada lentamente ao longo dos séc. XIX e XX sobrando  um grande terreno aos pés do Morro da Babilônia.

Nos anos 60 o terreno foi vendido a CRESA Emp. Imobiliários S.A. da qual não sei se fazia parte do grupo SAG/LIGHT/BRASCAN – o famoso “Polvo Canadense”  mas toda a área, exceto a ocupada desde os anos 30 por um posto da Standart Oil, num bico da antiga Rua do Túnel com o prolongamento da velha Rua da Passagem renomeada de Itapemirim e depois Lauro Muller, de propriedade do famoso Fred, dono de postos de gasolina, restaurantes e boates como a Fred´s em Copacabana. Acontece que o Fred, ou Frederico Mello anos antes tinha celebrado com a Santa Casa um contrato de arrendamento, não só da velha casa mas também de galpões anexos ao posto onde funcionava uma grande oficina mecânica, tal arrendamento criou uma longa celeuma jurídica que atrasou em pelo menos 5 anos a construção do centro comercial. Celeuma essa provocada pela própria CRESA que possivelmente não tinha o capital necessário para levantar o planejado prédio de 42 andares no local e resolveu manter como cessionário o Sr. Fred, para somente ocupar o terreno.

A existência da CRESA e a construção do Rio-Sul pela BRASCAN me fazem especular se a LIGHT/SAG/BRASCAN tenha usado o mesmo expediente que fez quando da concorrência dos ônibus elétricos na Av. Rio Branco, o uso de “laranjas sem poder de fogo financeiro”, apenas dinheiro para dar início ao negócio e desviar a antipatia do povo para com o Polvo, para depois da estória iniciada assumir os negócios ( http://www.rioquepassou.com.br/2008/01/15/brill-magazine-maio-de-1918/ e http://www.rioquepassou.com.br/2008/01/14/onibus-eletrico-da-light-av-rio-branco-anos-20/ )

As fotos do Sr. Gyorgy Szendrodi são de exatamente este período onde a CRESA já tinha a propriedade do terreno e brigava na justiça pela posse do resto para erguer o complexo comercial.

Por isso vemos a estrutura tubular segurando o logo da companhia e mais informações infelizmente ilegíveis pelo angulo da foto sobre o que se pretendia construir no local.

Temos alguns pontos curiosos, como o verdadeiro paliteiro que tinha se transformado a pista rumo à Copacabana com os postes que sustentavam a rede de bondes e outros que sustentavam a rede de trolleys em abandono em constraste com os limpos e bem pintados postes da iluminação pública.

Vemos a estrutura do letreiro da CRESA bem com o fundo dos galpões, junto ao muro do terreno a velha Rua do Túnel, transformada em uma pista lateral da nova Av.. Lauro Sodré.

Por fim vemos o letreiro da CRESA que infelizmente não é nítido nas informações pelo ângulo da foto, que é uma pena e também um grande paliteiro da rede de trolleys abandonada e também de um poste que sustentava a sinalização luminosa para uma passagem de pedestres que existiu até 1968.

Por fim o mais interessante é que a praça, planejada nos PA’s que quadruplicaram o Túnem Novo e que ficaria entre a Igreja de Santa Terezinha e os fundos da casa da Fazenda, com um prolongamento da Lauro Miller. Ou seja, ocupando quase toda a área onde sobe o shopping desapareceu dos projetos da prefeitura do PDF como milagre…. da Santa Casa…..

 Fotos de  Gyorgy Szendrodi