Nosso post de hoje mostra a Rua da Constituição bem da Praça da República em direção a Praça Tiradentes. Antiga Rua dos Ciganos surgiu de ligação do Róssio para os Mangais de S. Diogo e  guardava a origem com o Campo dos Ciganos, região despovoada e desvalorizada onde foram mandados, por Carta Régia, residir os ciganos. Tal carta além de proibir os “infames” de exercer cargos públicos os proibia também de residir  livremente os levando à guetos. Tendo sido o Campo dos Ciganos, antigo Róssio e hoje a região da Praça Tiradentes a única e breve existência de gueto formal que nossa cidade conheceu.

A rua aberta aparentemente num dos surtos urbanizadores da cidade, este a mando do Vice-Rei Luís de Vasconcelos, rumo aos charcos que compunham antigas chácaras que eram desmembradas por seus proprietários ou pela própria Fazenda, com a abertura de várias ruas e a demarcação da atual praça. Com a desocupação da área do antigo Róssio pelos ciganos, pelas obras de Luís de Vasconcelos duas casas foram levantadas em ângulo reto com a antiga de São Jorge, hoje Gonçalves Ledo, e  seguidas residências se alinharam às duas moradias pioneiras, sendo então traçada de forma mais ou menos expontânea a via que conservou por muitas décadas o nome dos responsáveis por sua abertura. A rua além de abrigar uma população de muitos descendentes de ciganos, começou a abrigar clubes, agremiações e associações de classe, chegando na metade do séc. XX, juntamente com a Rua República do Líbano a abrigar praticamente todo o comércio de equipamentos para rádios, vitrolas válvulas, telefonia e ferramentas de precisão.

Aliás como vemos nessa imagem onde letreios da Phillips, Pirelli Cabos, Olimpus Antenas dominam as velhas marquises. A rua é urbanizada ainda com o mobiliário da era Passos, em destaque os velhos postes modelo NY.

Vemos na foto na direita o prédio do antigo Arquivo Nacional, em razoável estado ao contrário da ruína dos dias de hoje. Bem como temos a nota curiosa da tradição educacional do velho sobradão que abriga hoje o Colégio-Curso Tamandaré, abrigava o colégio Carvalho de Mendonça.

O corredor cultural mudou bastante a cara dos velhos sobrados cm a retirada das marquises. Mas vemos que os anos de abandono ainda provocam terrenos vazios e também prédios reconstruídos com o atual sobrado entre o colégio Tamadaré e o prédio em estilo art-déco na esquina da Rua Rep. do Libâno ( http://g.co/maps/38hxn ) na época ocupado por um sobrado me modificado. E a existência de um curiso prédio em um PA que nunca mais será efetivado, visto aqui ( http://g.co/maps/peyqu ).

Foto de Gyorgy Szendrodi