Continuamos na mesma região do post passado e o Sr. Gyorgy foca a Rua Buenos Aires da mesma maneira que focou a da Constituição, da esquina com o Campo de Santana.

A Buenos Aires é mais uma das duas de abertura praticamente expontâneo da cidade, possivelmente tento apenas algum plano de arruamento quando ultrapassou a antiga vala, invadindo as áreas das antigas chácaras. De início como outras nomeada de quarteirão a quarteirão, conforme seu morador mais notório ou estabelecimento mais conhecido, teve diversos nomes como “da Portuguesa, do Becão,  do Ascênio” e os primais mais conhecidos ” do Padre Manoel Ribeiro” , da marinha até a Vala e “do Alecrim” a partir da Vala. Especula-se que do Alecrim estava relacionada com uma das primeiras empresas “saneadoras” da cidade, que alugava urinois e tronos e também o serviço dos Tigres para seu esvaziamento na praia mais próxima.

Mas foi com a construção do pequeno convento ou “hospício” construído pelo Capuchinhos atrás da igreja da Boa Morte que a rua ganhou um dos seus nomes mais duradouros. Inicialmente chamada de “De trás do Hospício” teve o nome abreviado por simplesmento Do Hospício, nome este que conservou até 93 anos atrás quando homenageou a capital da Argentina.

A foto nos mostra o prédio do TCE na direita e o início das demolições dos antigos sobrados que permitiram a construção do Ed. Garagem Wadih Kabarite, construído no bojo de uma anacrônica legislação que atrelava a construção de prédios novos no Centro a disponibilidade de vagas ou a construção de unidades para o parquemento exclusivo de veículos em lotes outros.

A rua apesar de não ter mais o transporte de carris mantem todas as suas características como a iluminação por cabos e não por arcadas ou postes na calçada como era comum nas outras vias dessa região. Em imagens antigas a Rua Buenos Aires contava com uma linha singela de bondes que terminou seus dias, já operada pela Light terminando na Av. Passos.

Ao contrário de hoje em que a rua é praticamente bloqueada ao tráfego na época a via escoava um bom volume de carros e ônibus além de servir de estacionamento, vemos também sinais de transito nas esquinas da República do Líbano/Tomé de Souza e mais ao fundo certamente com a Av. Passos, aliás quem vê a estreita via de hoje que só dá espaço para a passagem de um só veículo, comportar praticamente 3 lado a lado.

O passar do anos também modificou os sobrados, quase todos perderam as marquises que vemos nos anos 70 e alguns perderam ornamentos ecléticos voltando ao neo-clássico. A construção  localizada logo após a empena de tijolos na esquerda, se localiza após a esquina com a Tomé de Souza construído por uma das caixas beneficentes ligadas à Igreja passa hoje por uma grande obra de restauro e é um dos mais importantes prédios desse pedaço da rua.

Dominando o horizonte além dos espigões que subiam na região da Rio Branco a torre da Igreja do Santíssimo Sacramento.

Foto de Gyorgy Szendrodi