Saímos um pouco das cores das fotos do Sr. Gyorgy   e voltamos rapidamente no mundo em P&B do início do séc. XX para mostramos no post de hoje a fachada virada para a Av. Rio Branco do Conjunto do Liceu.

Como já foi falado aqui o antigo conjunto do Liceu, tal qual a conjunto pré Passos foi construído em inúmeras etapas e épocas, o que podemos comprovar pela nossa foto de hoje. Vemos que o velho Pavilhão Internacional ( http://www.rioquepassou.com.br/2006/03/20/pavilhao-internacional/ )  já havia desaparecido e em apenas 3 anos o velho varietè havia sido sbstituído pelo novo prédio, que se inseria perfeitamente na arquitetura da Avenida.

A foto nos mostra na esquina da Rua Bethencourt Silva com a Rua 13 de Maio que a parte do prédio mais emblemática ainda estava em construção, a grande torre redonda, que abrigou o Jornal O Globo ainda subia envolta pelos tapumes. Ao fundo vemos o prédio da Imprensa Nacional.

A foto nos mostra também que o Cinema Central já estava em pleno funcionamento, numa época que as salas chiqs ficavam na Avenida num tempo pré Cinelândia. Infelizmente o cartaz fica sem definição quando está quase pronto para ser lido, mas parece que temos algo como “feliz pontos, ou portos”.

A foto é muito boa pois nos dá uma idéia do que era o Morro de Santo Antônio neste pedaço da cidade, com o capim aparado, mas cercado de muros e com alguns portões, certamente delimitando a propriedade das ordens religiosas da dos terceiros e invasores que eram maioria para os lados da Lapa.

A arborização das calçadas ainda era feita por jambeiros, que mais crescidos, poucos anos para frente se mostrariam um verdadeiro desastre em termos de sujeira e seriam trocados pelos oitis nos primeiros anos da década de 20, no canteiro central tinhamos os pau-brasil.

Os postes localizados nas calçadas já tinham sido convertidos para a eletricidade, mas mantinham os lampiões com apenas uma diferença dos primeiros anos da avenida, as lentes de vidro fosco, face ao transparente dos tempos à gás, as luminárias do canteiro central já tinham abandonado o arco voltáico e já usavam lâmpadas de tungstênio como podemos comprovar pelos globos, ainda de vidro liso e não corrugado como se tornou comum anos para frente.

Na lateral esquerda da imagem nos supreende uma obra, possivelmente de drenagem junto ao meio fio, vemos a grande quantidade de entulho empilhada junto a beira da calçada e os restos da massa asfáltica na pista disposta como uma trincheira, certamente para evitar a queda de pedestres desavisados, animais de tração e veículos.

Pela posição do sol parece estarmos na parte da manhã, com pouco movimento exceto alguns curiosos que “namoram” os cartazes do cinema.