Clube Marimbás início da década de 30
Quem hoje vê o prédio do Clube Marimbás no final da praia de Copacabana com seu visual amorfo, com elementos dos anos 50 e 70 não imagina que o prédio, em seu desenho original foi de puro art-déco e se surpreenderá mais ainda ao saber que o prédio saiu das pranchetas do modernista Lúcio Costa em associação com húngaro Warchavchik, ambos considerados como os pais do modernismo no Brasil, que quem diria começou como Art-Déco, estilo aliás que não só a casa Nordchild ( http://www.rioquepassou.com.br/2004/02/13/1468/ ) bebe na fonte, como a própria Casa Modernistas em São Paulo.
O clube fincado nas areias da praia de Copacabana, junto a antiga colônia de pescadores foi construído em um local onde no séc. XIX havia uma casas de pescadores e hospedarias para romeiros, mas construído após a regularização da orla pelo pA da Av. Atlântica tem cara de ser mais uma daquelas seções de área pública, feitas na primeira metade do Sec. XX, pelas quais 90% dos clubes da cidade conquistaram seu pouso, com a precariedade fundiária se esvaindo pelo passar das décadas. Na realidade há o registrode doação do terreno por Pedro Ernesto por volta de 1933, proezas do tenentismo visto que estamos em plena área de marinha.
Um dos criadores do clube foi o jornalista Roberto Marinho, que além de eminência parda do Brasil por décadas era nos anos 30 um adépto do estilo sportsman pilotando carros de corrida, lanchas velozes e praticando a novíssima caça submarina, aliás função primal do clube visto sua excelente localização. E a escolha de Lúcio Costa era muito natural visto que o arquiteto projetava uma casa para o jornalista no Cosme Velho.
O estilo náutico do prédio pode ser visto em outros elementos internos, do então pequeno prédio, como a escada em caracol que ligava os pavimentos, parecia ter sido retirada de um iate, fora os externos como a sequência de escotilhas que ventilavam os toaletes e a primeira cozinha.
A parte de baixo do prédio se destinava a guarda dos barcos e dos equipamentos dos sócios, o do meio a vida social, com a característica varanda, bilhar secretaria, estar e uma grande sala de ginástica, infelizmente não tenho o detalhamento do pavimento superior.
Vemos que nesse trecho a iluminação da Av. Atlântica era feita por outros tipos de poste, nessa resolução parece ser um francês de tamanho médio, vemos também os postes telegráficos para o Forte. Nesse exato ponto até hoje é o único lugar que o primeiro calçadão da Av. Atlântica ainda sobrevive, inclusive com a pedra de cantaria abaulada, hoje colada nas paredes co clube, o que indica que o prédio foi inserido na areia, depois da urbanização do alargamento de Frontin em 1921.
A foto é do acervo de Fernando Franca Leite, atentendo o seu desejo de suas imagens serem espalhadas pela grande rede.

Luiz D´ comentou,
Li, já não sei onde, que o Marimbás foi fundado em 05 de abril de 1932 e que deve seu nome à uma espécie de peixe, o Marimbá (Diplodus argenteus), muito comum à época nas águas em frente à sua primeira sede localizada à beira da praia do atual Posto Seis em Copacabana.
A sede definitiva no final da praia, junto ao forte de Copacabana, teria sido conseguida por intermédio do Presidente Getúlio Vargas, que passou a ser seu Comodoro de Honra, por título concedido em outubro de 1941.
Acho que a maioria dos fotologs do Rio antigo vai divulgar o acervo de Fernando França Leite (afinal são 505 fotos).
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Andre Decourt respondeu em fevereiro 8th, 2012 às 7:41:
Pelos meus alfarrábios a doação foi da PDF, sendo o principal incentivador o filho do Pedro Ernesto. O clube foi fundado em uma casa hoje demoida para a construção de um hotel há pouco tempo atrás na esquina das ruas Saint Roman e Sá Ferreira
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8 de fevereiro de 2012 às 0:12
Augusto comentou,
Mais tarde vai rolar um post duplo no meu Fotolog.
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Augusto respondeu em fevereiro 8th, 2012 às 6:55:
Post duplo no ar em http://fotolog.terra.com.br/delfos:222
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8 de fevereiro de 2012 às 6:19
Gustavo Lemos comentou,
O site do clube confirma a versão do Luiz. O Getúlio deve ter mandado a PDF entregar o terreno ao clube. O Roberto Marinho deve ter pressionado.
O acervo do FFL é impressionante. A nossa Princesinha do Mar foi muito fotografada.
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8 de fevereiro de 2012 às 8:49
Marco de Yparraguirre comentou,
Bom é um tema muito interessante e muito parecido com os e
muito atual ainda hoje or causa da polêmica que causa. Vemos tambem no nosso pasado que a influência dos Marinhos predomina até hoje , com o domínio da midia televisiva e escrita. Quanto ao clube , foi edificado numa area de marinha como lembrou o Andre ,por pressaão do Roberto Marinho que sempre se colocou ao lado dos governantes para
o bem ou para o mal. Obra feita para as pessoas poderosas da época e que gostavam do mar com a aquiescência do presidente ditador. Ainda hoje vemos as mesmas coisa do tipo acontecerem.Quanto ao acervo do Fernando França Leite
é muito bem vindo. Quanto ao estilo da construção o Andre já
nosdeu a aula sobre a matéria.
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8 de fevereiro de 2012 às 9:23
Derani comentou,
O marimbá é uma espécie de peixe que vive na arrebentação pois se alimenta dos pequenos animais que vivem na areia e são liberados com o estourar das ondas.
Por esse motivo era bastante comum serem pescados com linha pelos pescadores amadores (inclusive eu) desde a areia da orla.
Alguns chegavam a um tamanho razoável (500g) mas hoje tá meio sumido por causa da porcariada na água do mar.
Impressionante como conseguiram esconder esse belo prédio…
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8 de fevereiro de 2012 às 11:43
Richard comentou,
Certamente não é mera coincidência a arquitetura do primeiro Marimbás (na foto) com a arquitetura dos antigos postos de salvamento.
Não consegui descobrir o arquiteto dos postos.
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8 de fevereiro de 2012 às 12:53
PauloZ comentou,
Bacana a foto.
Eu tenho a impressão que o sócio do Clube Marimbás nem se preocupa tanto que o prédio de seu clube, atualmente, não tenha visibilidade. Pelo contrário.
Quanto a possível influência do proprietário do jornal O Globo no sentido de carrear o auxílio de autoridades em favor do Marimbás, eu não tenho dúvida. Todos que faziam parte daquele grupo devem ter se mexido para obter benefícios.
Tirar da atuação de Marinho pró-Marimbás conclusões sobre a influência que este mesmo personagem teria décadas depois, creio que pode estar perto do exagero. Digo isso porque até o final dos anos 50 o mais próspero dono de um jornal carioca era Paulo Bittencourt. Seu jornal era o mais importante matutino do Rio, e foi decisivo quando em meio a uma mudança na sua linha editorial acabou por influir na derrubada de João Goulart. O outro matutino que deixou uma família bem de vida (mas não se comparava a Bittencourt), era o JB. Os jornais Diário Carioca e Diário de Notícias tinham proprietários muito influentes e que eventualmente ocuparam cargos públicos importantes. Não podemos nos esquecer do onipresente, em termos midiáticos, Assis Chateaubriand (Diário da Noite e O Jornal) que pobre não era (no Rio morava em uma casa na Av. Atlântica). Mesmo Chagas Freitas, dos jornais O DIA e A NOTÍCIA, não chegava a ser um remediado. Samuel Wainer (UH) e Lacerda (Tribuna da Imprensa) eram os proprietários de jornal cariocas que não tinham posses que chegavam aos pés do que Marinho possuía.
A cidade do Rio de Janeiro tinha muitos jornais!
Quando Marinho criou a TV Globo ficou bilionário.
P.S. Paulo Bittencourt tinha imóveis na área do Posto 6.
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Rafael Netto respondeu em fevereiro 9th, 2012 às 1:04:
No meio de tanta história, só faltou dizer qual jornal era “matutino mais importante do Rio” de propriedade do Paulo Bittencourt.
Acabei de pesquisar.
Era o Correio da Manhã, que tinha aquele belo prédio no Largo da Carioca demolido em 1975, e um também belo exemplo de art-déco na Av. Gomes Freire, este ainda de pé.
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Andre Decourt respondeu em fevereiro 9th, 2012 às 8:54:
Paulo, o Roberto Marinho, poderia não ser o que foi pós 60, mas tanto ele como seu pai eram bem quistos pela sociedade carioca, acho que o velho Irineu era um gentleman, dado as manifestações de apoio, inclusive materiais, que seu filho recebeu de todos os órgão de comunicação da então capital quando com 20 e poucos anos teve que assumir de sopetão o jornal da família com o inesperado falecimento de seu pai. Isso fica bem claro no livro Chatô. Ate mesmo o nome O Globo foi cedido por Chatô, pois era um dos nomes escolhidos em um sorteio para escolher o nome da revista que seria O Cruzeiro.
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PauloZ respondeu em fevereiro 9th, 2012 às 18:33:
Caro Andre Decourt, todos os donos de jornal da nossa cidade tinham e ainda tem influência.
Eu fiz um comentário no sentido de tentar mensurar a influência relativa destes big shots, que formavam um grupo seleto de cariocas. O ambiente existente neste grupo proporcionou eventos como o referido por você no caso do título do jornal O Globo. Outras vezes, por exemplo, eles forneciam papel de imprensa uns para os outros em situações emergênciais. Tentei mostrar que enquanto o proprietário de O Globo, que era amante da pesca submarina, estava exercendo sua influencia para ajudar o Marimbás, os donos do Correio da Manhã e do JB se engalfinhavam (através dos seus prepostos) pelo mercado de pequenos e grandes anúncios na capital da República. E os donos destes dois jornais eram ricos naquela época.
Anos depois, em 1971, as Organizações Globo participavam em cinquenta por cento no mercado nacional de publicidade e o mercado estava em ascensão, e a influência do seu proprietário era centenas de vezes maior que nos anos 30, quando ajudou o Marimbás.
Foi uma tentativa de mensurar a influência destes membros da chamada alta sociedade carioca através do tempo. Espero ter explicado um pouco melhor.
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8 de fevereiro de 2012 às 16:28
Alcyone comentou,
Bom dia a todos!
Inacreditável que esse prédio da foto, seja o Marimbás. Não o reconheceria jamais! E olha, que sou frequentadora assídua do clube, quando estou no Rio! Tenho a minha mesa de “Pontinho” e aproveito o ótimo ambiente, com aquela vista deslumbrante.
Foi uma pena, terem desvirtuado tanto o seu projeto original que era muito interessante e me lembra um “deck” de navio.
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9 de fevereiro de 2012 às 8:09
Marco de Yparraguirre comentou,
Tinha esquecido dessas figuras importantes que você bem lembrou Paulo, que tambem tinham muita influência na vida
da cidade. Mas de qualquer maneira a hoje em dia tudo se
repete, talvez com menos glamour e classe.
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9 de fevereiro de 2012 às 8:13
Henrique Filgueiras comentou,
A propósito:
E o Posto 6 ? Cadê? Sumiu!!!
Não existe mais o posto de salvamento que deu nome ao bairro.
Aliás, os novos postos estão em locais diferentes dos originais.
E o Posto 6 não existe mais.
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9 de fevereiro de 2012 às 17:58
Honorio Vargas comentou,
Fizemos os preparativos, para a nossa festa de 25 anos de formatura na FNM, no Marimbás.
Marcio Arruda Portilho foi a senha de entrada.
O local é primoroso.
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11 de fevereiro de 2012 às 20:24
Luiz Carlos Trindade comentou,
O que me chama a atenção nessa construção é o sue estilo Art Decó marítimo, salvo engano. È parecidíssimo com um aeroporto (ou hidroporto?) construído no Bairro da Ribeira em Salvador, também na década de 30, provavelmente em 1936. As esquadrias, o pára-peito, enfim são tantos os detalhes parecidos… O jeitão arredondado do pára-peito etc
O antigo aerporto hoje é uma marina, espero que seus “revitalizadores” não tenham descaracterizado o belo estilo Art Decó. Nunca mais fui lá, mas imagino que que os para-peitos tenham sido modificados, afinal depois de tantos anos abandonados a beleza destes deve ter sido consumida pelo salitre e em seu lugar, quem sabe, deve hever alguma “obra de arte” de plástico que além “mais barata é mais durável”…
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14 de fevereiro de 2012 às 22:21