Nessa foto de Malta vemos uma região que em menos de 100 anos é praticamente irreconhecível graças a ação do homem, nem o local onde Malta estava existe mais, recortada para ser encravado um grande centro de consumo há pouco menos de 10 anos a Pedra do Baiano praticvamente desapareceu, eliminando um dos últimos vestígios da barra da Lagoa.

Estávamos na Adm. Carlos Sampaio que executava um grande plano de saneamento da Lagoa Rodrigo de Freitas, mais do que necessário depois do desastre de Paulo de Frontin que com a união das avenidas Vieira Souto e Delfim Moreira provocou uma grave alteração nos regimes das águas, transformando uma região não muito salubre num infectório de Febre Amarela e até mesmo Malária, segundo velhos registros, pois a pequena passagem por debaixo da ponte que unia as duas avenidas apenas permitia a saída de água doce e não a entrada da salgada.

Coube a Saturnino de Brito realizar o plano de saneamento, cujo o objetivo era salgar o máximo possível as águas da Lagoa, combatendo o lodo, os mosquitos e a estagnação das águas. Possivelmente o seu único erro foi em relação a entrada do canal, principalmente pelos ( falta) estudos oceonográficos da época, que até hoje sofre com o bloqueio por areia. Mas o sistema de comportas quando manobrado com competência funciona com perfeição, e seria simplesmente fantástico se todos os rios que fazem parte das bacias do Macacos e do Rainha se transformaram em meros carreadores de esgoto, notadamente pela favelização da Rocinha e dos invasores do Horto fossem limpos o que mesmo com grandes chuvas não levariam matéria orgânica para a Lagoa e nem para o mar.

Na foto podemos ver que as águas da Lagoa batiam diretamente na pequena elevação rochosa, mas as pequenas marcas de vegetação no meio das águas indica que o local deveria ser raso e pantanoso. Na direita vemos a região de dunas de Ipanema, ainda praticamente vazia, apesar de já estar loteada desde o séc. XIX pois a presença da Lagoa e seus “miasmas” desvalorizava tremendamente a área. Acredito que neste pedaço nem a infraestrutura básica, como eletricidade, meio fios e galerias de águas pluviais e esgoto estavam instalados e as ruas eram apenas picadas abertas na areia fofa.

Não conseguimos ver como estavam as obras de construção e estaqueamento da orla em Ipanema, mas em alta definição vemos praticamente na borda entre o canal e o que seria o fim de Ipanema a silueta de uma draga.

Essa era uma das áreas mais problemáticas da velha Lagoa onde um grande saco pantanoso entrava rumo à Gávea, com pouquíssima renovação de água, deveríamos ter uma área de mangue entremeada com pequenas praias de areia branca, mas algo muito pior que as Praias da Piaçava e Funda, que com boa profundidade funcionavam inclusive como portos desde o Brasil Colônia.

Nesta época J. Carlos em charges já chamava a atenção para a miséria da orla da Lagoa, miséria esta que aumentaria com a não conclusão por este grande prefeito nas obras desse trecho da Lagoa, e o abandono por seus sucessores, as quais as consequências veremos, uns 15 anos a frente no próximo post.