Como falamos no nosso post passado o abandono das obras de retificação da orla da Lagoa nos fundos do Leblon tiveram graves implicações para cidade nas décadas seguintes.

A área esquecida entre os trechos retificados que iam do Canal do Jardim de Alah até pouco depois da Praia da Piaçaba, chegando mais ou menos aos fundos da antiga Chácara da Bica, na época já constituído como Solar Monjope, foi sendo urbanizada aos trancos e barrancos,  apesar do grande aterro para o Jockey feito nessa época não houve preocupação de urbanizar a orla nesse pedaço, nem conectá-la com as áreas vizinhas criando uma grande lacuna de urbanização que foi rapidamente invadida.

Segundo as charges do J. Carlos, que conhecia bem os problemas da região, pois morava ali perto na esquina da rua Jardim Botânico com a via que hoje leva o seu nome a Lagoa era a vergonha da cidade, terra de miséria, fome e doenças, um grande contraste com a orla que já estava urbanizada e se desenvolvia como em Ipanema e na Fonte da Saudade.

Inúmeras favelas foram se desenvolvendo, sendo que a maior era esta, a Praia do Pinto que nos anos 50 se transformou na maior da cidade, graças a transferência de outros favelados do Largo da Memória e do Jardim Botânico ( hospital da Lagoa) para uma vila proletária anexa, ainda não construída na nossa foto.

Pelo estado das obras da arquibancada do até hoje inconcluído estádio do Flamengo, toda escorada por andaimes, acredito estarmos por volta de 1938, mais tardar 39, o litoral ainda estava totalmente recortado, com partes originais e outras de aterros incompletos, o campo do Flamengo está literalmente inserido dentro das águas da Lagoa, numa analogia a piscina do Guanabara na Enseada. A área das ruas  Adalberto Ferreira, Tubira, Mário Ribeiro e da Praça Nsa. Auxiliadora ainda eram um descampado conquistado por aterros recentes que já modificavam a linha original do bairro, aprovada em 1921, a via que vemos no meio da favela, seria uma continuação da Rua do Pau, hoje Conde de Bernardote, já traçada além da velha Av. Rodrigo de Freitas, que acompanhava a linha do litoral original e fazia parte do primeiro PA do Leblon, hoje a Rua Adalberto Ferreira segue parte do seu traçado. Em poucos anos essa parte do traçado e nunca executada do bairro bem como os quarteirões originais do loteamento entre as Ruas Humberto de Campos, Cupertino Durão e Carlos Góis bem como das Avs. Afrânio de Mello Franco e a natimorta Rodrigo de Freitas seriam engolidos pela favela desaparecendo para sempre pelos novos planos de urbanização do local já do Estado da Guanabara, permanecendo apenas a Rua Mario Ribeiro e a Praça Nsa. Senhora Auxiliadora desse plano de arruamento para a área aterrada.

Em alta definição vemos as caixas d’água das cocheiras e da vila do hípica e o esqueleto do Hospital da Lagoa.