Nossa foto de hoje mostra a moderna loja da Philips numa das lojas do Ed. Albatroz na esquina da Av. Atlântica com Siqueira Campos por volta de 1941/42. A de se perguntar como em plena Seguda Guerra a Philips conseguia produzir e exportar para o Brasil. Logo após os pesados bombardeios da Luftwafe nas cidades industriais e portuarias da Holanda como Roterdan e Eindhoven que foram completamente arrazadas a Philips que já tinha escritórios de representação e plantas de montagem de equipamentos em CKD em diversos países conseguiu neles montar plantas de produção, sua busca inicial eram por países neutros ou mais longe possíveis das tropas de Hitler, por isso ela montou fábricas nos EUA, onde seus produtos passaram a se chamar Norelco, na Bélgica e na Inglaterra, onde colaborou com o esforço de guerra, principalmente nas áreas de telecomunicações.

Foram as comunicações que fecharam os laços da Philips com o Brasil, de forma definitiva. Com escritório no país desde 1924 a empresa atuava no ramo de rádios, lâmpadas e luminárias, equipamentos para o lar e uma importante divisão médica por sua avançada tecnologia nos bulbos de raio-X, além da sua Rádio, com estúdios no Rio, a PRA-X, importante instrumento divulgador de sua tecnologia musical e eletrônica, sendo a embriã da Radio Nacional, pois em 1936 ela havia sido adquirida pelo A Noite, depois encampado por Getúlio.

Com a destruição de suas plantas da matriz além dos países  supracidados os interesses da Philips por novos mercados aumentou muito e a ruptura do Brasil com o Eixo foi o momento de aproximação definitiva. Como sabemos a aproximação de nossas forças armadas com os equipamentos bélicos franceses e a posteriore alemães era intensa, e com a guerra o EB viveu um dilema pois todo seu parque de radio-comunicação era de fabrico alemão ( Telefunken) e estava em vias de ser trocado por outro mais moderno da marca alemã. Com senso de oportunidade a Philips se associa com uma pequena empresa paulistana de rádios e monta a INBELSA ( Indústria Brasileira de Eletricidade SA) que por décadas abasteceu nossas forças militares com seus equipamentos, puxando o fabrico de inúmeros outros produtos.

A loja que vendia, rádios, geladeiras e as moderníssimas lâmpadas fluorescentes, ainda de apenas 20W estava instalada num dos bons exemplos do Art-Déco na cidade, muito prejudicado pelo fechamento de suas varandas, que como vemos na foto faziam parte da decoração da fachada com relevos em seus tetos e uma coluna que acomphanva a que havia no embasamento da construção, além de um interessante escalonamento das portas francesas nas varandas, em pares assimétricos.

Vemos que também a loja fazia parte da volumetria da fachada com sua porta principal dividida por um septo bem na linha de divisão dos apartamentos acima, bem como alinhado entre  as duas janelas acima.