Nossa imagem de hoje possivelmente é do final dos anos 30 e mostra a praticamente vazia e urbanizada precariamente Av. Epitácio Pessoa na altura de Ipanema.

Aberta durante o surto de urbanização e saneamento da Adm. Carlos Sampaio sobre os planos de Saturnino de Brito a Av. Epitácio Pessoa visava além de regularizar a margem da Lagoa da Praia da Piaçaba, passando pela Ponta do Pires, Praia Funda e chegando até a beira do Canal da Lagoa, criava as condições para se eliminar áreas alagadiças e retificar dunas e depressões que existiam no relevo original e que junto com as obras complementares como o sistema de canais e comportas que dariam salubridade à região, abrir uma nova área de ocupação da cidade, que já avançava além de Copacabana mas enfrentava na pestilência das águas da Lagoa um obstáculo além da Rua 28 de Agosto, hoje Barão da Torre para a ocupação de Ipanema bem como  para a cupação das promissoras antigas áreas industriais do Jardim Botâncio e Fonte da Saudade.

Mas após as pesadas obras de Carlos Sampaio o trecho de Ipanema, não tão nobre com o da Praia da Piaçaba foi esquecido, na realidade um grande trecho a partir da Pedreira da Catacumba e sua favela não foi urbanizada pela Adm Prado Júnior, ficando esquecida até o meio dos anos 40.

E é justamente um desses trechos que está fotografado, vemos o pavimento de macadame alcatroado, os coqueiros plantados por Carlos Sampaio, e mais nada de urbanização, não existem calçadas além do meio fio e a iluminação pública é uma micelânia de improvisação com as luminárias econolite usadas nos anos 20 durante as obras, e outras no estilo holofote, é difícil imaginar o que funcionaria.

Ao fundo, além das arquibancadas e tribunas do prado do Jockey vemos as incipientes instalações do Clube Caiçaras, algumas garagens de barcos e um telheiro avarandado, nem a sede em estilo normando havia ainda sido construída, as casas na beira da futura chique avenida ainda eram esparsas, num ambiente que fora as montanhas ao fundo lembraria Araruama nos anos 70.

Além do Caiçaras vemos uma ponta da Ilha das Dragas, totalmente livre de barracos, bem como ao fundo mesmo já existindo na Praia do Pinto não chegaram à antiga Ilha do Guarda, não sendo visíveis na foto.

Acredito que nosso fotógrafo estivesse na altura do quarteirão entre as Ruas Maria Quitéria e Garcia D’ávila