Semana passada uma bomba caiu sobre os moradores de Copacabana que o histórico Cond. Santa Leocádia havia sido vendido para uma especuladora imobiliária e todos os seus inquilinos estavam sendo despejados por denúncia vazia, graças ao ardiloso expediente de deixar os contratos de aluguel vencerem e se tornarem por “prazo indeterminado”.

Mas os dias passam e vemos que os planos são muito mais soturnos que uma simples compra e venda imobiliária que só não foi pior pois o Ministério Público ano passado entrou no circuito e impediu a demolição de pelo menos uma parte do conjunto edificado de grande qualidade.

Os especuladores agora se posam de bonzinhos e falam na magia do retrofit, embora que pelas fotos publicadas na imprensa o prédio não necessite de um retrofit, apenas certamente de modernização nas redes elétricas e hidráulicas, visto que o estado de fachadas, janelas, áreas comuns é impecável. O retrofit é um fantástico expediente para prédios históricos quando a construção está deteriorada o que não é o caso. O fato de o conjunto não estar tombado agrava ainda mais a situação, pois a redivisão das unidades, que certamente ocorrerá certamente provocará perda de características originais, como pisos, janelas, varandas etc. Além caso ele seja lançado como um empreendimento imobiliário onde serão criadas as novas vagas de estacionamento obrigatórias por lei, com a perda de árvores ou áreas abertas, ou com a construção de um edifício garagem na área de servidão no lote 19 da Travessa Santa Leocádia.

Mas o mais chocante é ver que o ovo da serpente já chocava desde 2004, portanto há 8 anos, quando os 2 lotes remanescentes da grande propriedade da Família Krause foram remembrados sob o PA 46268, modificando  o PA 32680, que desmembrou a grande propriedade, permitindo a construção do grande edifício da Pompeu Loreiro onde há o velho pé de Assacú e separando também da propriedade um edifício erguido nos anos 50 de número 98.

Certamente tal manobra abria o caminho para a venda de toda área, que é enorme e se encontra convenientemente praticamente toda dentro da cota 100, sendo toda edificável dentro dos limites da engenharia.

O conjunto de 1929 tem toda a sua importância histórica, pois é um dos pioneiros no bairro, construído praticamente junto com o hoje tombado Guarujá, num tempo que o Zepelin sobrevoava o Rio de Janeiro, como vemos por essa foto da coleção de Carlos Dufriche, onde o prédio sobe no topo da Santa Leocádia.

Nessa nossa foto, fragmento de área da coleção de René Ribeiro da Costa vemos o conjunto nos anos 40, ainda integrando uma só propriedade, vemos o enorme Assacú já atravessando a Rua Pompeu Loreiro, a servidão o dente em L do primeiro prédio e o prédio no topo da Travessa no meio da vegetação.

Comparando com a foto de hoje (http://goo.gl/maps/09Hcg ) vemos que exceto os imóveis junto a Rua Pompeu Loureiro o conjunto de mantém totalmente íntegro, inclusive os telhados sem nenhuma alteração em mais de 60 anos.

O conjunto deve ser tombado e a especuladora que o comprou que o revenda praticamente sem danosas modernizações com nomes macaqueados em inglês, pisos de porcelanato e luminárias de gosto duvidoso além de algum funicular envidraçado com balizamento em led azul no lugar do velho bondinho