A origem da Rua do Catete remonta aos tempos iniciais da fundação de nossa cidade, quando a mesmo ainda engatinhava para as várzeas do Castelo e está profundamente ligada à água, água está que até hoje não abandona a via.

No período inicial da cidade, o sítio escolhido pelos portuqueses tinha inúmeras vantagens estratégicas, exceto pelo suprimento de água de boa qualidade, houve até a tentativa de se cavar um poço junto a casa do Porteiro da Cidade, para os lados de onde hoje está a Cinelânda, possivelmente este poço ficava por onde hoje está a Biblioteca Nacional, mas sua água não tinha as melhores qualidades. Então tinha que se recorrer a duas aguadas, ambas oriundas do Rio da Carioca, o foz normal, farta, e outra não tão  volumosa que na altura do Largo do Machado se originava em um braço do rio e ia desaguar junto ao Oiteiro da Glória, onde hoje está o Largo da Glória. Segundo constam os registros o desaguar deste braço parecia muito com a foz do Rio Catete em Angola e rapidamente os escravos aguadeiros a batizaram assim, logo passando o nome para todo o braço do rio e quando ele foi se assoreando e secando para o caminho que surgiu ao longo de sua calha.

As inundações sempre foram registradas, e aconteciam não só pelas chuvas mais fortes, mas também pelas ressacas, que aconteciam com fúria, principalmente antes da construção da Av. Beira Mar na era Passos.

Nossa foto mostra uma dessas enchentes, em 1928, quando um violento temporal encontrou a maré alta, uma combinação explosiva para nossa cidade e alagou por horas pontos críticos de nossa cidade.

O menino com a camisa listrata, de remador,  corrobora as estórias que meu avô, remador do Botafogo de Regatas, contava que nessa situação galhofeiras regatas aconteciam na inundada Rua do Catete com a presença dos esquifes de Flamengo, Botafogo e Guanabara.

A foto mostra o ônibus da viação Excelcior naufragado nas águas bem como o curioso caminhão da SLU-DF que junto com alguns garis tentam desobstruir o sistema de galerias pluviais da via. Pelo conjunto de sobrados ao fundo acredito estarmos perto do antigo Largo da Valderano, onde fica o Palácio do Catete