Nossa foto de hoje mostra os “tupinambás do ano novo”, um grupo que criou a festa e hoje foi expulso pela incorporação dela pela rede hoteleira, um grupo de comunicação e a prefeitura da cidade.

A festa de ano novo nas areias de Copacabana começou graças aos grupos de religiões afro-brasileiras que na noite de 31 de Dezembro compareciam a praia para oferecer a Imenjá oferendas, e rezar agradecendo os bons momentos, exorcisando os maus momentos do ano que se findava e pedindo para o ano que se avizinhava sucesso, paz e felicidade.

Tal movimento acabou além de atrair católicos, no típico sincretismo religioso de nosso país, começou a ser acompanhado por brasileiros e turistas como uma manifestação de folclore. Consta que até uma famosa banda de Rock inglês compôs um de seus hits em uma das visitas de seu vocalista ao Rio na época de ano novo.

Mas tudo começou a mudar quando nos anos 70 os hotéis da orla resolveram capitalizar a movimentação popular e expontânea em um evento para fomentar seus negócios, começaram então a unificar as esporádicas queimas de fogos, outra tradição que vem do Brasil Colônia, em um única patrocinada por todos eles e divulgar isto como um evento, suplantando a festa original e em que nada perturbava a noite do bairro, apenas deixava a praia dia seguinte perigosa e suja pelos cacos de garrafa e muitas flores e restos dos despachos.

Nesse interim a prefeitura resolve também a “ajudar” na festa a colocando no calendário, mas ainda apensar de atrair um bom número de pessoas nem as pistas da nova Av. Atlântica precisavam ser fechadas e o que se via nas ruas internas era os passantes com flores rumo a praia alguns só para as jogarem no mar ou outros para veres os fogos, que duravam no máximo 5 minutos e voltar para a ceia.

Mas curiosamente quando um grupo de comunicação construiu um hotel na praia onde antes havia um cinema, é que a festa começou a se tornar um grande estorvo para os praticantes das religiões afro-brasileiras como para os moradores do bairro e virar um “evento” estranho aos participantes originais . O tal grupo começou a veicular em sua TV e jornal, inclusive com a cobertura dos fogos aos vivo, que Copacabana era O Local para se estar na noite do dia 31. De inicio fechou-se uma pista da orla, depois as duas pistas da orla, logo depois começaram as restrições de circulação no bairro, com bloqueios para não moradores e depois para todos os veículos particulares, exceto motos, taxis, veículos de turismo e ônibus, cada vez mais cedo e só se liberando mais tarde.

Nessa altura os moradores do bairro já eram refens da festa, com o seu direito de ir e vir prejudicado.

Mas o pior foi o tipo de turista que começou a ser atraído para tal evento, acampamentos na praia, 20 pessoas em um conjugado alugado por temporada e muita movimentação de pessoas de outros bairros e municípior que vão ver os fogos e ficam horas tentando voltar para casa contraditoriamente sem consumir paraticamente nada no comércio formal do bairro, que aliás quase todo cerra suas portas por não ser vantajoso o caos criado.

E os donos da festa, ficando cada vez mais espremidos, os lugares de culto começaram a ser cercados para não serem pisoteados ou invadidos e os espaços cada vez foram diminuidos até serem proibidos na praia de Copacabana na noite do dia 31, um verdadeiro desrespeito.

Desrespeito como o sítio total do bairro nesse ano onde não haverá, taxis, ônibus e qualquer outro meio de transporte dentro do seu perímetro, o que mostra que o evento virou algo incontrolável, criou-se um monstro que suga e drena o bairro de Copacabana por semanas, agora que se inventou que na noite de natal o bairro tenha que virar palco de shows. O aspecto para o turista sério que vem gastar seus dólares e euros é o pior possível, um bairro lotado, impraticavel, fedorento e sujo.

Nesse vídeo de 1975 da Agência Nacional podemos ver o que era o ano novo na cidade na virada de  1974/75:  http://goo.gl/3lU0Z