O post de hoje foi possível ao Marcos César da Silva que na comunidade Rio Antigo do Facebook nos trouxe essa pequena preciosidade em 3 pranchas, que é a reportagem da publicação interna do antigo CBDF contando o combate ao incêndio do velho prédio do jornal do Commércio, que acabou decretando o fim do imponente edifício do início do séc. XX.

Na época o prédio, como muitos outros prédios históricos da cidade estava condenado a desaparecer pela anunciada substituição por um prédio moderno, lembro que nessa mesma época prédios importantíssimos da cidade como o Convento do Carmo sofriam da mesma ameaça.

Porém no meio da tarde do dia 30 de Setembro de 1958 o fogo se inciou em uma sala do terceiro andar do prédio onde funcionava uma alfaiataria, segundo os bombeiros rapidamente o fogo se alastrou pelo velho prédio que possuía forros e revestimentos em madeira.

Vemos que a parte dos fundos do prédio, de formato mais tradicional, usando certamente estrutura metálica e pisos de madeira foi rapidamente devorada pelo incêndio que soltava grandes labaredas, a parte frontal, inclusive a grande cúpula da torre foi poupada. Certamente não houve desabamentos na estreita Travessa do Ouvidor porque as vigas metálicas continuaram com sua função estrutural mesmo com a alta temperatura, pois todo o peso virou carvão. O que não acontece com os sobrados do séc. XIX, como foi o caso da Caçula, no SAARA, onde a função estrtural é feita por vigas de madeira.

Vemos que mesmo após 3 anos da carnificina da Vogue, onde os bombeiros foram reequipados a corporação ainda sofria com dificuldades pois vários quarteis tiveram que ser utilizados para suprir, sem muita folga, os esforços de combate ao incêndio.

Os bombeiros vivem relegados a um segundo plano no campo dos investimentos, e mesmo a taxa a eles destinada, a qual o carnê de pagamento começa a chegar aos proprietários dos imóveis esta semana, é desviada e usada até para o pagamento de viagens do oficialato da corporação e não à compra de equipamentos, tão importantes. Não há escadas magirus suficientes ( http://www.rioquepassou.com.br/2009/08/15/incendio-do-hotel-vogue-veremos-novamente/ ), não há plataformas que combatam incêndios em prédios de mais de 30 andares, o estado nem possui um avião de combate a incêndios florestais, isso com 3 parques nacionais e diversas APAS. Nossos governantes só se lembram de reequipar a corporação quando grandes incêndios ceifam dezenas de vidas, como no caso da Vogue, do Astória, do Andorinhas etc.. já os grandes incêndios sem vítimas, como este e o do prédio da Vale ( http://www.rioquepassou.com.br/2006/10/20/incendio-do-ed-barao-de-maua-11-de-dezembro-de-1981/ ), nada significam.

O texto original da reportagem pode ser lido, ao clicar-se nas imagens, quando ela será disponibilizada em média resolução.