Chegamos hoje ao final da série sobre o incêndio do Ed. Astória.

Ainda durante o rescaldo foi efetuada pela secretaria de obras do EGB uma vistoria prévia que apontava graves danos a estrutura do prédio, notadamente nos 22 e 21 primeiros andares onde além dos estragos habituais do fogo houve grave deformação dos pilares, vigas e lages pela dilatação das armações metálicas do concreto armado resultado da altíssima temperatura que alcançou o incêndio.

O desabamento era questão de tempo, e esses andares deveriam ser demolidos de forma imediata pois ofereciam risco para toda a vizinhança, como podemos observar pelas fotos acima que mostram a destruição no 22 andar, com o teto embarrigado e já arruinado ao fundo, onde as paredes se reduziram aos tijolos tendo perdido qualquer revestimento.

Nesse andar estava localizado a residência do zelador, a casa de máquinas, depósitos e as caixas d´água, nada mais sobrava. Além desses andares todo o revestimento externo do prédio, bem como janelas e esquadrias acima do décimo quinto andar ofereciam risco total de desabarem para a rua, e deveriam ser retirados imediatamente. Para isso o EGB construiu enormes para-lixos na Rua Senador Dantas e na estreita Rua Embaixador Régis de Oliveira, encobrindo-a totalmente, tão proteção foi apelidade imediatamente de túnel Enaldo Cravo Peixoto

Ao decorrer do trabalho de limpeza dos entulhos os engenheiros do EGB  descobriram que os danos na estrutura haviam sido ainda mais complexos, danos graves acometiam os 20, 19 e 18 andares, e estes embora não tivessem que ser demolidos precisariam de complexos trabalhos de recuperação estrutural para voltarem a ter segurança.

 

Mas além dos danos, as seguidas perícias, provocadas não só pela polícia, mas também pelo Ministério Público e judiciais a mando principalmente do engenheiro Eduardo Farah, que possuía escritórios no prédio e culpava a administração como total responsável pelo sinistro, mostraram que o combate ao fogo nunca poderia ter sido realizado de forma correta, mesmo que houvesse água na caixa superior do edifício. Foi descoberto nas ruínas do 22 andar um criminoso by-pass no barrilhete das colunas d’água, que criava um segundo registro, escondido dentro de um banheiro, na casa do zelador, que ativava ou desativava a coluna de incêndio do prédio, mesmo que o o registro no barrilhete, indicado como correto estivesse aberto.

Após essas descobertas, inciou-se uma batalha judicial, sendo apontados como réus, não só os proprietários do edifício, mas o zelador e os proprietários da Herbert Richerts, Art Films, um dentista e um estúdio de cine e foto, todos acusados de manterem inflamáveis no prédio, o que era contestado por todos, notadamente as empresas de filmes, que alegavam que os filmes que eles usavam eram os conhecidos safety films, que ao contrário das antigas películas de nitrato não propagam fogo.

Em 1964, para pagar as despesas e indenizações, visto que o seguro do prédio não cobria todo o montante, o Astória foi a leilão, tendo sido vendido para um grupo financeiro