Tudo que vemos na imagem não existe mais, os prédios, as árvores, as pedras do meio fio, os trilhos de bonde. Tudo demolido para o grande deserto urbanístico chamado Av. Pres. Vargas.

Nossa foto possivelmente é do início dos anos 20, embora não descarte que possa ser dos últimos anos da década de 10 pelo tamanho dos oitis da Rua Uruguaiana. A fachada colonial que vemos é a lateral da velha Igreja de Bom Jesus Calvário, que inciou-se a construir em 1719, tendo sido terminada a sua parte externa em 1796, continuando as obras internas nos alteres e talhas até meados do séc. XIX. Ao seu lado ficava o hospital da ordem, que não aparece na nossa foto, também posto ao chão nas obras da feia avenida.

Se nosso fotógrafo  fosse transportado para nossos dias fotografaria isto no mesmo ângulo:  http://goo.gl/maps/1lvzP .

Mais a frente, acompanhado a linha de sobrados que partem do fundo do templo, vemos a Rua de São Pedro, em mais um quarteirão rumo à velha Alfândega outra jóia do colonial brasileiro, a igreja de São Pedro dos Clérigos .

A foto nos mostra os ramais de bonde, tendo ficado o da Rua Gal. Câmara ativo, mesmo depois do desaparecimento da rua, até os anos 50. A foto ainda nos brinda com um poste de modelo francês médio, com 3 combustores a gás. Esse poste era muito utilizado na cidade, inclusive depois de sua conversão para a eletricidade, onde seu uso mais emblemático talvez se deu na Av. Atlântica de 1919. Mais ao fundo, junto a igreja vemos um do modelo NY, com a luminária de arco voltáico. O arranjo gás-eletricidade, foi muito comum até o fim dos anos 10, quando paulatinamente o sistema elétrico foi ficando mais seguro e as luminária de arco-voltáico ligadas em série foram sendo substituídas  pelas as com lâmpadas de tungstênio ligadas em linha.