Na foto vemos a construção que mais flertou com estilo Bauhaus em nossa cidade, o Alhambra, que na concepção de Francisco Serrador era mais que um mero cinema, mas um centro de diversões, 70 anos antes dos shoppings da Z. Oeste dedicados para este fim.

Construído em 1930 pela Construtora Cia Nacional S/A, sob os riscos de Arnaldo Gladosh, o prédio além do cinema, equipado com o que de melhor havia em conforto, projeção e climatização abrigava  no grande prédio horizontal um completo sistema de lazer, moderníssimo diga-se de passagem,  que completavam o cinema,  o complexo inteiro só seria aberto na primeira metade de 1932.

A programação do prédio abrangia restaurante, bodega, osteria, casa de chá, choperia, american bar, crèmerie, salão de bailes e um terraço com fontes luminosas e pérgulas e por fim um pavihão circular, construído sobre a rotunda da sala de projeções. E ligando estes pavimentos o primeiro conjunto de escadas rolantes da cidade, décadas antes da escadas da SEARS. Além das escadas havia um elevador para 24 passageiros.

A inspiração não só na finalidade do edifício mas em suas linhas ( embora nada compartilhasse em estilo com o prédio berlinense, mas Bauhaus era a vanguarda alemã) remetia-se ao Vaterland de Berlin, o primeiro complexo do gênero construído na Alemanha poucos anos antes, mais precisamente em 1928.

O conjunto de diversões funcionou por praticamente 08 anos e já fechado, aguardando sua demolição no dia 11 de março de 1940 uma explosão no cofre que guardava as instáveis películas cinematográficas da época iniciou um incêndio que destruiu a sala de projeção e os pisos superiores do prédio, praticamente não atingindo as lojas que haviam no pavimento térreo viradas para rua.

Após o sinistro o prédio foi por fim demolido, dando lugar o que sempre se pensou para o lugar, um arranha céu, nos anos 20 impedido de construir pela legislação de posturas que virou o Hotel Serrador de tanta importância no cenário político e cultural da cidade nos anos 40, 50 e 60.