Talvez pela ainda incipiente geotécnica do nascente EGB, ao início dos trabalhos, os quais os geólogos achavam que se estabilizaria o terreno aconteceu o inverso, o morro se desestabilizou totalmente e as rachaduras subiram a encosta, uma grande massa de terra começou a se deslocar lentamente.

A correria para retirar a população favelada que se recusava a sair ganhou foros de retirada de tropas, assistentes sociais, bombeiros, soldados da PM e técnicos do EGB faziam um intenso trabalho de convencimento e retiravam os pertences e muitas vezes até mesmo pedaços dos barracos, como portas e janelas, por último a anciã do morro, Leopoldina Braga de Souza de 70 anos, convencida pelo pároco local foi retirada nos braços de 3 soldados dos bombeiros que a desceram pelo escadão do número 916.

Lentamente uma enorme massa de terra, começou a esmagar os prédios da R. Itapiru mais colados na encosta,vemos aqui acima o prédio de número 1026, causador final da instabilidade sendo comprimido pela encosta. Ao lado o local onde ficavam os números 992, 998 e 1016, transformado em ponto de retirada do material.

Vemos que o prédio começa a sofrer um deslocamento pela pressão, que empurrava sua parte superior, ficando as fundações no local original, sua parte posterior já foi engolida pela encosta, esmagando o bloco menor, na foto só vemos restos de telhado e a passagem de ligação entre as alas.

A tentativa era de evitar o colapso de mais prédios, além dos já condenados pelo deslocamento da encosta, muitos imóveis ainda não haviam sido afetados, e apesar de interditados e condenados o EGB os queria salvar, eram feitas sondagens e rasgos na encosta para ver se conseguia-se direcionar o desabamento para a área dos antigos prédios 992 a 1016 e mesmo ao 1026 que deveria ser demolido a posteriore pois sua estrutura já tinha sido destruída, com pilares esmagados e inclinado para a rua mais de 3 cm.

Mas os movimentos de terra continuavam, os serviços tiveram que ser paralisados no dia 14 de abril, pois o prédio 1026 ameaçava a desabar, os técnicos começaram a fazer um plano de demolição, pois o prédio já tinha sido engolido até o terceiro andar do bloco dos fundos pela encosta.

Decidiram os engenheiros que deixariam o 1026 cair por si só, visto que sua demolição trairia riscos para as equipes, o que de fato ocorreu na noite do dia 25 de abril, quase um mês depois do início do acidente geológico.

Com o colapso do 1026 os técnicos achavam que iriam conseguir domar o morro, fizeram uma grande fenda para a retirada da terra da encosta, vemos aqui a tentativa, impressiona a voçoroca de terra que engole o morro, na fenda restos de barracos, inclusive um vaso sanitário.

Mas mesmo assim o morro não parava de escorregar e mais casas tiveram que ser demolidas.

 

 

A 986, uma simpática e senhorial casa de cor rosa não pode escapar, vemos o início do processo de desmonte dela. O proprietário um senhor octagenário que tinha uma profunda ligação com a casa foi poupado pela família da notícia, mas iriam entrar na justiça contra o Estado por ter permitido a ocupação do morro e a realização da obra do número 1026, sem a devida fiscalização

 

Mais uma foto, com a voçoroca aumentando, na esquerda a 986 já se encontrava em ruínas e as próximas a caírem seriam as casas de número 1034 e 1038, que começavam a ser engolidas pela encosta, tal como o prédio de número 942, que começava a ser deslocado pela pressão da encosta  e desabou dias após. Vemos os telhados das casas que ainda estavam de pé completamente destruídos pelo material que rolava do morro, como pequenas pedras, muita terra e restos de barracos, que rolavam sozinhos, desde o início do desabamento