Vemos nessa foto os últimos dias do prédio da Casa Nunes, na rua da Carioca 65 e 67, como também nos fundos para a hoje quase desaparecida Gustavo de Lacerda 21.

A casa Nunes fundada em 1912 foi uma das mais importantes lojas de móveis e decoração do Rio do início do séc. até o final dos anos 50. Fornecedora dos Palácios do Catete e Itamaraty, do Ministério da Justiça de boa parte da leite carioca, começou inicialmente no número 63 da mesma rua, também desaparecido, e mudou-se me 1913 para o prédio que a acompanhou até o fim.

O prédio de 4 andares dividia-se assim, primeiro andar grande loja, segundo andar loja e escritórios, e terceiro e quarto oficinas e estoque, contava já naquela época com luz e força independentes, elevador, sistema telefônico interno, e cofres de segurança para a féria e os papeis de empresa, tudo muito moderno para o início do séc. XX.

Nem o violentíssimo incêndio de 11 de dezembro de 1938, que  destruiu o prédio quase que totalmente, provocando inclusive um desabamento parcial tirou o prestígio da empresa, que abriu filial na Rua 7 de Setembro e no final do mês de setembro de 1940 reinaugurava sua sede, sem antes rumorosa briga com as 15 seguradoras as quais algumas se recusavam a honrar o prêmio do sinistro.

Nos anos 40 os móveis em estilo Luiz XV e Rainha Ana estavam em todos os palácios e boas residências da cidade, inclusive na casa das minhas tias avós o logo característico da Casa Nunes estava em algumas estampilhas debaixo de cadeiras da sala de estar.

Com o avanço da década de 50 esses tipos de móveis passaram a ser feitos somente por encomenda e a loja partiu para os móveis modernos, certamente pés de palito.

Além de móveis a Casa Nunes vendia tapeçarias e cortinas e era nos anos 30 o maior importador de tapetes do Brasil, o que demonstrava o tamanho do negócio do estabelecimento.

Porém desde os anos 40 o prédio estava ameaçado com a implantação do Plano 100 e a criação da Esplanada de Santo Antônio e principalmente com a Av. Norte-Sul, uma via que ligaria o Aterro até o Perimetral e depois desviada e prolongada pelo governo do EGB até se juntar com a Linha Lilás do Santo Cristo. Mesmo com a palavra de Carlos Lacerda que ela não ultrapassaria a Rua da Carioca o primeiro Governo Chagas a tentou empurrar até no mínimo a Rua 7 de Setembro.

O que era nebuloso se tronou realidade em 1969 com o decreto de expropriação não só da Casa Nunes, bem como todos os imóveis da Rua da Carioca entre o 53 e 77, área muito maior que as pistas ocupariam, certamente visando a posterior venda dos lotes de esquina com a nova avenida, conforme falamos aqui.

Se a Casa Nunes travou uma batalha com as companhias seguradoras ao longo de 1939, quarenta anos depois ela travou uma nova batalha, desta vez na 3ª Vara de Fazenda Pública da Guanabara contra a SURSAN pelo valor da indenização da expropriação do imóvel. Queira a expropriada que além do imóvel o fundo de comércio também fosse indenizado, querendo CR$ 2.000.000,00 enquanto o EGB queria oferecer CR$ 850.000,00, tendo sido vitoriosa a Casa Nunes, que ganhou o processo, mas levou mais de ano para ser indenizada, enquanto seu prédio permanecia no meio da pista (a única que foi executada) impedindo o uso da nova avenida.

Só no final de 1973, época da nossa foto, o prédio finalmente foi demolido, encerrando a história da grande loja fundada pelo Comendador Alfredo Rebello Nunes e encerrada, sem deixar nenhuma filial ou sucessora por seu filho, embora funcionasse me Botafogo, na Rua Voluntários da Pátria, quase esquina com Rua Sorocaba outra Casa Nunes, atuando no ramo de cortinas e tapetes.

A título de curiosidade a Casa das Chaves, que estava instalada no imóvel ao lado, possivelmente o antigo 71, funcionou até pouco atrás na Rua da Constituição número 15, e  foi vítima da “cidade olimpica” do sr. Eduardo Paes, vemos o processo nesse links desde 2010, quando o patife se apeou no município janeiro de 2010 setembro de 2011 dezembro de 2014 e por fim  janeiro de 2017 Esse cara, que posava de carioca, é o grande culpado pela destruição do centro da cidade, hoje um cadáver insepulto, circundado por um VLT que desarticulou por anos, junto com a demolição da Perimetral todo o sistema de transito da região expulsando os cliente, e que não se integra com nenhum outro modal.