Na foto de hoje vemos um dos “Navios da Light”, na realidade construção de enormes câmaras subterrâneas para unidades transformadoras, apelidadas de navios pelos cariocas num passado próximo quando nosso povo ainda tinha o dom sarcástico, joçoso e politicamente incorreto de dar apelidos tanto em coisas como pessoas.

Com a interligação do sistema da Rio-Light ao sistema de SP-Light e de Furnas ao longo do ano de 1967, quando a tragédia da Serra das Araras e o assoreamento das usinas de Fontes e Ribeirão das Lages pela violentíssima tromba d’água que sepultou inúmeros lugarejos entre Piraí e Paracambi matando possivelmente milhares de pessoas, provando que a Guanabara era extremamente vulnerável no fornecimento de energia e com a unificação da ciclagem no ano de 68 ( o Rio ciclava em 50 hz ao contrário do resto do país) e o início da operação da Usina de Santa Cruz também no mesmo ano, a cidade do Rio passou a ter disponível um volume de energia que ela nunca teve capacidade de produzir.

Com essa fartura e a demanda reprimida há pelo menos 15 anos as Light começou a fazer um enorme programa de ampliação da rede nos bairros mais adensados da cidade, bem como uma distribuição mais robusta para o consumidor industrial.

Esse programa visava a construção de novas sub-estações, linhas de alta tensão e ampliação da oferta de média e baixa tensão com a construção de enormes “vaults” subterrâneos  como vemos na foto, avenidas como a Rio Branco, Nossa Senhora de Copacabana, Beira Mar, ruas como a Visconde de Pirajá, Conde de Bonfim etc.. foram parcialmente interrompidas com esses enormes buracos no meio da caixa de rua.

O formato bicudo dos canteiros para seccionar o fluxo de carros, o tamanho e o transtorno que causavam no tráfego rapidamente foram associados a um enorme navio encalhado no meio da cidade, e o apelido pegou.