Em 2012 fizemos um post sobre o desaparecimento do velho traçado da Estrada da Grota Funda pela variante construída pelo governo do EGB em 1970. Traçado esse que era desconhecido de boa parte dos cariocas, praticamente desconectado e engolido pelo mato.

Nesses 6 anos o velho traçado foi sendo redescoberto pelos ciclistas, excursionistas, memorialistas e defensores do meio ambiente, pois a estrada se encontra agora dentro de uma unidade de conservação, e embora ainda abandonada tem vários planos para ser transformada em uma estrada parque.

O velho traçado em Zig-Zag oriundo dos tempos dos desbravadores foi objeto de obras no governo de PII e depois modernamente pavimentado e convertido em uma estrada moderna de rodagem em 1929 no governo de Washington Luiz, e é essa estrada que vemos nas fotos. Segundo consta os antigos alfarrábios de Magalhães Correa, a obra executada à voga do bom gosto do prefeito Prado Júnior possuía no topo da encosta um grande mirante com bancos em estilo neo-colonial revestidos de azulejos (tais como os da comporta do Canal da Visconde de Albuquerque) e um enorme painel de azulejos com um mapa de todas as estradas do DF, como o topo do morro é o ponto de segmentação dos dois trechos da velha estrada tanto o mirante como todas as obras foram destruídas nos anos 60.

Já tida nos anos 50 como inadequada para o trajeto da BR-6 ( antiga Rio-Santos) estava prevista para ser substituída por uma nova serra em local diverso, mas com o a criação da Guanabara e seu plano do Anel Viário da cidade-estado os planos, apresentados pelo DER-GB ao DNER, foram alterados. Uma nova variante, provisória até o adensamento populacional e o tráfego de veículos chegarem a um determinado fluxo, seria construída em declividade mais suave e com traçado menos agudo, sendo depois substituída por um túnel, com traçado já definido à época.

As obras foram feiras entre 1969 e 72 sendo inauguradas em duas etapas, a primeira entregue em 1970, que visava substituir o trecho mais inadequado, o virado para a vertente do Recreio obra essa que mostramos no post de 2012 e a etapa seguinte o trecho virado para Guaratiba que tinha traçado mais suave que se encontra ainda ativo,  relembrando com baixa ocupação os bons tempos do Sertão Carioca, antes de ser explorado por milícias e traficantes e suas ocupações irregulares com o beneplácito do poder público.

Nas fotos podemos perceber o pavimento em paralelepípedos e as muretas de alvenaria maciça, tais como vemos muitas vezes nas estradas da Floresta da Tijuca, e que continuam lá, praticamente intactos esperando apenas serem totalmente revelados.