Favela da Praia do Pinto, visto da Pedra do Baiano – circa 1938
Como falamos no nosso post passado o abandono das obras de retificação da orla da Lagoa nos fundos do Leblon tiveram graves implicações para cidade nas décadas seguintes.
A área esquecida entre os trechos retificados que iam do Canal do Jardim de Alah até pouco depois da Praia da Piaçaba, chegando mais ou menos aos fundos da antiga Chácara da Bica, na época já constituído como Solar Monjope, foi sendo urbanizada aos trancos e barrancos, apesar do grande aterro para o Jockey feito nessa época não houve preocupação de urbanizar a orla nesse pedaço, nem conectá-la com as áreas vizinhas criando uma grande lacuna de urbanização que foi rapidamente invadida.
Segundo as charges do J. Carlos, que conhecia bem os problemas da região, pois morava ali perto na esquina da rua Jardim Botânico com a via que hoje leva o seu nome a Lagoa era a vergonha da cidade, terra de miséria, fome e doenças, um grande contraste com a orla que já estava urbanizada e se desenvolvia como em Ipanema e na Fonte da Saudade.
Inúmeras favelas foram se desenvolvendo, sendo que a maior era esta, a Praia do Pinto que nos anos 50 se transformou na maior da cidade, graças a transferência de outros favelados do Largo da Memória e do Jardim Botânico ( hospital da Lagoa) para uma vila proletária anexa, ainda não construída na nossa foto.
Pelo estado das obras da arquibancada do até hoje inconcluído estádio do Flamengo, toda escorada por andaimes, acredito estarmos por volta de 1938, mais tardar 39, o litoral ainda estava totalmente recortado, com partes originais e outras de aterros incompletos, o campo do Flamengo está literalmente inserido dentro das águas da Lagoa, numa analogia a piscina do Guanabara na Enseada. A área das ruas Adalberto Ferreira, Tubira, Mário Ribeiro e da Praça Nsa. Auxiliadora ainda eram um descampado conquistado por aterros recentes que já modificavam a linha original do bairro, aprovada em 1921, a via que vemos no meio da favela, seria uma continuação da Rua do Pau, hoje Conde de Bernardote, já traçada além da velha Av. Rodrigo de Freitas, que acompanhava a linha do litoral original e fazia parte do primeiro PA do Leblon, hoje a Rua Adalberto Ferreira segue parte do seu traçado. Em poucos anos essa parte do traçado e nunca executada do bairro bem como os quarteirões originais do loteamento entre as Ruas Humberto de Campos, Cupertino Durão e Carlos Góis bem como das Avs. Afrânio de Mello Franco e a natimorta Rodrigo de Freitas seriam engolidos pela favela desaparecendo para sempre pelos novos planos de urbanização do local já do Estado da Guanabara, permanecendo apenas a Rua Mario Ribeiro e a Praça Nsa. Senhora Auxiliadora desse plano de arruamento para a área aterrada.
Em alta definição vemos as caixas d’água das cocheiras e da vila do hípica e o esqueleto do Hospital da Lagoa.

Roberto Valentim comentou,
Graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande Carlos Lacerda. Eterna gratidão!
[Responder]
9 de maio de 2012 às 0:13
Luiz D´ comentou,
Andre, acho que a foto deve ser um pouco mais antiga, considerando que a arquibancada já estava toda pronta em 1938.
É surpreendente, para mim, a demora em completar as vias no entorno de toda a Lagoa, algo que só aconteceu no final dos anos 60.
[Responder]
9 de maio de 2012 às 8:29
Marco de Yparraguirre comentou,
Bom dia Andre:Depois desta explicação,eu pergunto. Porque
o hipódromo e o campo do flamengo, foram construídos nessa
área.Eu ainda era jovem nessa época ,não me lembro bem ,
mas a favela do pinto foi removida no governo Lacerda,certo?
[Responder]
Andre Decourt respondeu em maio 9th, 2012 às 11:22:
Eram áreas que iam ser conquistadas pela PDF com o despejo do material do Casteo, retificando a região de baixa profundidade e de pouca renovação de água na área, houve uma permuta da PDF com o Jockey da área do clube atual com a do prado de Triagem, de interesse industrial, ela então entregou ao clube uma área que vinha dando dor de cabeça face os insucessos do aterro, como podemos ver na área da praia do Pinto onde eles se arrastaram por décadas, só sendo terminados já no meio dos anos 50. Para a região ocupada pela favela houve pelo menos uns 4 PAs, que criavam quarteirões e ruas, e até mesmo nos anos 4o tresdestinou a área para uma usina de asfalto da PDF nunca realizada e outro para a Cruzada, muito maior que é hoje ocupando toda a a´rea antes ocupada pela favela, ou seja margens da Lagoa indo até a Cobal
[Responder]
9 de maio de 2012 às 10:01
Victor comentou,
A favela da Praia do Pinto foi extirpada do Leblon em 1969, durante o governo de Negrão de Lima, responsável também pela remoção da favela de Catacumba. Sempre que lembramos de extinção de favelas associamos ao Lacerda, e cometemos esta injustiça com o Negrão de Lima.
Estou na dúvida se esta arquibancada é a do Flamengo. A do Flamengo me parece ser mais íngreme. Além disso, fica logo à direita do terreno do Jockey Club. Por outro lado, a construção do Hospital da Lagoa me parece ter acontecido no início dos anos 50. Portanto fico com a impressão de que a arquibancada da foto é a do Estádio de Remo.
[Responder]
Andre Decourt respondeu em maio 9th, 2012 às 15:31:
Os estádio de Remo não poderia existir nos anos 30, pois estaria literalmente dentro d’água. A silueta pode ser de outro prédio, merece melhor estudo
[Responder]
Victor respondeu em maio 9th, 2012 às 17:33:
André,
Provavelmente a foto é da primeira metade da década de 50. Percebe-se, inclusive, que a passarela de acesso à arquibancada do Estadio de Remo já estava construída, rampa esta que a do Flamengo não possui. Observe que do lado esquerdo da arquibancada temos a água da Lagoa. No caso da arquibancada do Flamengo, à esquerda, há a pista de corridas do Jockey.
[Responder]
Luiz D´ respondeu em maio 9th, 2012 às 19:49:
Também fiquei muito em dúvida quanto ao aspecto da arquibancada do Flamengo. Atribui a deformação a um efeito qualquer da fotografia.
[Responder]
9 de maio de 2012 às 14:39
Derani comentou,
Concordo com o Vitor.
Acho que arquibancada é a do Estádio de Remo, realmente a do Flamengo é bem mais íngreme.
[Responder]
9 de maio de 2012 às 14:56
Augusto comentou,
Para quem conhece, frequenta ou mora na região nos dias de hoje, deve ser um choque ver uma imagem destas.
Onde havia barracos, hoje é um dos locais mais valorizados da cidade. O que não faz a especulação e certos interesses.
[Responder]
Rafael Netto respondeu em maio 9th, 2012 às 19:10:
Tem gente apostando que algo parecido vai ocorrer nos próximos anos na Zona Portuária.
[Responder]
9 de maio de 2012 às 16:46
Ricardo Lafayette comentou,
André,
Acho que a turma tá certa. A arquibancada que aparece na foto me parece ser a do Estádio de Remo. A do Flamengo é mais íngreme do que esta.
Abraço,
Ricardo Lafayette
[Responder]
9 de maio de 2012 às 20:17
Diogo comentou,
Se a arquibancada é do Estádio de Remo, o que tinha de concreto no Flamengo?? Nem muro dá pra ver!
[Responder]
Victor respondeu em maio 9th, 2012 às 22:06:
A arquibancada do Flamengo não está visível na foto. Ela se encontraria à esquerda da foto, fora do enquadramento.
[Responder]
Andre Decourt respondeu em maio 10th, 2012 às 8:30:
Passei hoje de amnhã pelo local e pela época que o estádio de Remo foi construído já veríamos algo do Flamengo na área aterrada, e não há nada, e o angulo do estádio de remo fica meio esquisito em relação a área ocupada pela favela que já nessa época, anos 50 era enorme. Estou ainda em dúvidas sobre o que é arquibancada e a data da foto, mas acho que definitivamente não passamos da década de 40
[Responder]
9 de maio de 2012 às 20:43
Victor comentou,
Observe que, se não aparece nada do Flamengo, também não aparece nada da Rua Bartolomeu Mitre, que fica poucos metros atrás da arquibancada do Flamengo e que teria de estar visível se esta fosse uma foto da referida arquibancada. Cadê a colina em que se localizava o 8º GMAC já retratada em seu fotolog?
Observe no fotolog “Saudades do Rio” em 07 de maio de 2012 a foto do Hospital da Lagoa e sua inconfundível silhueta, silhueta esta que aparece na foto acima. A construção do hospital se deu na década de 50.
Como contribuição para acabar eventuais dúvidas, sugiro a consulta ao site da Federação de Remo do Rio de Janeiro no endereço abaixo. Observe que na foto da FRERJ aparece, em destaque, a bela passarela de acesso que mencionei que já estava construída na foto postada por você, além da arquibancada do Flamengo ao fundo. Portanto a foto é de meados dos anos 50 e a arquibancada é a do Estádio de Remo da Lagoa.
http://www.frerj.com.br/pdf/historia_estadio_de_remo.pdf
[Responder]
Andre Decourt respondeu em maio 10th, 2012 às 10:18:
Victor a Bartolomeu Mitre é bem atrás do Flamengo, e se vc reparar há atrás da arquibancada que há uma via, que pode ser a B. Mitre ou a Adalberto Ferreira. Segundo os mapas de alinhamento do PA do Largo da Memória e de um arrumento dentro da área do quartel, que nunca foi realizado havia por volta de 1930 pouquíssimas construções na região, como esses mapas, a partir de 1922, eram feitos através de aerofotometria as indicações são bem precisas face a imóveis e divisas de lotes. Temos também alguns monturos de terra bem interessantes
[Responder]
10 de maio de 2012 às 9:37
Victor comentou,
A Bartolmeu Mitre no final dos anos 30 e início dos 40 já era bem urbanizada e não esta terra de ninguém mostrada na foto. Esta terra de ninguém é ocupada atualmente pelas pistas da Borges de Medeiros, pelo falecido Posto Mengão e pelas quadras de tênis do Flamengo.
Consulte suas fotos postadas no dia 20 de abril de 2011. Lá estão bem definidas as edificações da área da Bartolomeu Mitre. O 8º Grupo Mecanizado de Artilharia de Costa era localizado na Bartolomeu Mitre em cima de uma colina que não aparece na foto.
Além disso, como explicar a aparição na sua foto, do Hospital da Lagoa, construído somente nos anos 50?
Como explicar esta passarela de acesso à arquibancada que a do Flamengo não possui e a do Estádio de Remo possui?
[Responder]
Andre Decourt respondeu em maio 10th, 2012 às 13:21:
Uma apreciação dessa imagem http://g.co/maps/yq9d8 mostra que há algo errado com o que vc fala visto a posição da área ocupada pela favela, mesmo que estivéssemos falando da Ilha do Guarda e não propriamente da Praia do Pinto, com o ângulo formado pelo Estádio de Remo, e das ruas como a Borges de Medeiros. A silueta lá atrás, tão nublada pela péssima qualidade da publicação onde a foto foi escaneada pode ser de outro prédio, e não do hospital da Lagoa, que de fato não subia nos anos 30. Há prédios de 4 e 5 andares na região como o Ed. Piraquê que podem ter criado essa ilusão
[Responder]
Andre Decourt respondeu em maio 10th, 2012 às 13:25:
Outro ponto interessante é, desde os anos 40 havia a Vila proletária junto aos muros do Flamengo e a foto do Saudades do Rio é bem clara nisso, se fizermos um ângulo parecido favela/estádio de Remo viríamos a vila proletária na frente dos barracos e nessa foto a vista é 100% livre
[Responder]
Victor respondeu em maio 10th, 2012 às 16:28:
A Vila Proletária não aparece na foto por estar muito à esquerda, já fora desta.
No “Saudades do Rio” de hoje, mostra em sua 3ª foto, a lateral da arquibancada do Flamengo. Ela é íngreme e sem a passarela de acesso, que está visível em sua foto e no site da Federação de Remo :http://www.frerj.com.br/pdf/historia_estadio_de_remo.pdf
[Responder]
Victor respondeu em maio 10th, 2012 às 16:33:
Pelo ângulo da foto, se esta fosse a arquibancada do Flamengo, a Pedra do Baiano iria até a Rua Carlos Góes ou mesmo a Rua Fadel Fadel.
[Responder]
10 de maio de 2012 às 13:10