andredecourt's photo from 9/8/04

Nessa foto podemos ver a movimentação na Cinelândia nos anos 30, surpreende o grande número de militares, talvez por estarmos em plena ditadura dos tenentes.
A Cinelândia era um dos programas mais elegantes para se realizar na cidade nessa época, muitas pessoas colocavam suas melhores roupas e iam bater perna no quarteirão Serrador, ir aos cinemas, comer nos restaurantes, sentar num café e ver o tempo passar, ou apenas encontrar amigos e fazer em rodas de conversa e se inteirar dos fatos de fofocas numa época sem TV, Internet, e ainda com o rádio engatinhando.
Possivelmente essa foto foi tirada de fronte ao cine Pathé pelo o que revela a curvatura da rua, e captada por um dos inúmeros fotógrafos, que tiravam espontâneos dos passantes para depois tentar vender as ampliações.
Na foto por trás dos militares esta minha tia avó Clarice, de branco e seu noivo Romeo, infelizmente a foto não está datada e nem possui nenhuma anotação em seu verso, sedo por isso impossível de precisar uma data exata.

Foto do arquivo da família

Comments (26)

rockrj 9/8/04 9:32 AM …

Belo registro! O interessante, é que todo mundo usava chapeu…

leflaneur 9/8/04 9:33 AM …

Sua tia Clarice era aquela funcionária pública brigona, né? Gostei da história dela… Acho que o número de militares se deve ao fato de que, na época, dificilmente militares saíam às ruas em trajes civis. Era um status e mesmo uma norma usar sempre o uniforme… e as garotas gostavam…

pmmc 9/8/04 9:40 AM …

Ótimo registro !!

bj,

Paula

andredecourt 9/8/04 9:42 AM …

É ela mesmo, a tia Clarice, com seu noivo que morreu com pouco mais de mês faltando para o casamento deles, acho que foi de crupe ou de tétano, numa época que se morria muito fácil, mas que na minha opinião fora tecnologia médica tinha uma melhor qualidade de vida

jro 9/8/04 9:44 AM …

O Cosme e o Damião…?

JRO :) -)))

arcanoh 9/8/04 10:10 AM …

Eu viajei no tempo agora, passo pela Cinelândia todos os dias e fico imaginando o que deve ter sido aquilo nos velhos tempos. Os cinemas que deixaram de existir, uma cidade mais segura e um lugar sem tantos mendigos e pivetes nas ruas.

leflaneur 9/8/04 10:32 AM …

O bom era que se morria rápido.
Penar, essa é a regra de hoje, na maior parte dos casos. A pessoa dificilmente fica curada, mas pena, pena, pena, por anos… até morrer do que teria morrido em dias, noutros tempos.

garanhuns 9/8/04 10:36 AM …

A história do Rio de Janeiro passa por aqui. :)

No Recife acontecia exatamente o mesmo… Os fotógrafos tiravam foto das pessoas andando pelas calçadas e depois vendiam. Minha avó tinha fotos assim.

Antolog 9/8/04 10:59 AM …

Excelente flagrante!
Já existiam mesas e cadeiras nas calçadas na época…

al 9/8/04 11:24 AM …

Essa lembrança do André sobre a falta de comunicação aí pelos anos 20/30 é realmente muito importante. Os jornais eram na época coisa de intelectuais pois sua função era muito menos noticiar e mais ser tribuna política a serviço desse ou daquele partido. O rádio, ainda incipiente como “meio de comunicação”, era tida ainda pela maioria da população como “caixa do demônio” onde escutavam-se vozes e chiados vindos do além.
Restava então o “disse-me-disse” das esquinas, as fofocas das vilas, o mexerico das repartições. Tudo isso redundava e permitia que os espertalhões e goltpistas de sempre confabulassem, maquinasse, tramassem mil-e-um golpes aproveitando um país ingênuo e despolitizado como o nosso. E estamos falando de Rio de Janeiro, capital da República. Imagine como seria nesse interior imenso ?

alvarogabriel@openlink.com.br 9/8/04 11:33 AM …

Esse post é para dizer que a mensagem aí de cima é minha (saiu “al” sei lá porque)e para me solidarizar com tia Clarice com essa perda tão prematura e estúpida do seu noivo. Falo isso porque minha mãe também teve uma irmã que faleceu também por uma dessas doenças que, se fosse hoje, seria tratada ali na Drogaria Pacheco, pelo próprio balconista. É bom lembrar que Mr. Flemming só iria descobrir a penicilina alguns anos depois, sendo que a sua comercialização normal e barata só começaria no início dos anos 50.

tumminelli 9/8/04 11:59 AM …

essa foto da tia Clarice é muito legal. Eu tb pensei que fossem as duplas de policiais apelidadas de Cosme e damião, que existiram num Rio menos violento. Ms são dois oficiais das Forças Armadas.

Podemos ver lá ao fundo uma nesga do Teatro Municipal e a marquise com luminarias me parecer ser no Amarelinho…

:-) )))

jaymelac 9/8/04 12:31 PM …

Tia Clarisse e o noivo faziam um par muito elegante. Pena o falecimento prematuro dele.

Leflaneur comentou acima sobre a rapidez com que se morria… Hoje isso só acontece quando a pessoa é abatida a tiros… modo muito em voga e nada romântico de sair dessa pra melhor…

eduardorj 9/8/04 12:46 PM …

Lindo registro!!!
Andar de farda era onda.
Hj já é meio complicado andar assim em certos lugares.
abs

andredecourt 9/8/04 12:57 PM …

Jayme, Tia Clarice também já partiu dessa para melhor, em Dezembro próximo se viva estaria fazendo 100 anos

jaymelac 9/8/04 3:14 PM …

Como tia Clarice, tb sou de Dezembro…
Abraços,
Jayme

antigos 9/8/04 5:17 PM …

Ótima foto.
Pena a falta de data.

Estes “flagras” soam crus… Adoro…

jro 9/8/04 5:40 PM …

1 2 4 parece bebado contando…

JRO :-) ))))

Nig 9/8/04 5:47 PM …

Tem coisas que não voltam nunca mais, a gente fala que antigamente não havia violência na cidade, mas alguns lugares da hoje Cidade Nova, onde ficava a famosa casa da Tia Ciata, eram lugares temidos até pela polícia devido à ferocidade dos capoeiristas, não raro se morria de navalhada por ali, também tem que salientar a figura, hoje esquecida, do punguista, aquele que com muito cuidado surrupiava a carteira dos incautos em pé nos estribos do bonde, é claro que nada comparado à barbárie dos dias de hoje, mas é pra lembrar que todas as épocas tiveram algum tipo de marginalidade agindo em algum lugar.

Luís Felipe Pires 9/8/04 5:53 PM …

Do que uma simples foto é capaz!! Agora estamos todos imaginando uma época em que o rádio era incipiente, em que os militares só andavam fardados ( hoje se descobrirem que são militares, são mortos na hora !), morria-se de crupe ou tétano de repente ( hoje, de repente, no Rio, só se for de bala perdida!), e está todo mundo penalizado com a morte do noivo da Tia Clarisse, que de repente virou tia de todos nós !! e que morreu então com 99 anos !!?? Agora, conta o resto da história, André !! Ela casou com alguém depois ??teve filhos?? ou, chorou a resto da vida a morte do noivo??!!

andredecourt 9/8/04 6:04 PM …

Chorou que nada, arrumou outro noivo, alguns meses depois (era muito bonita foi até miss em Minas nos anos20) que a enrolou anos e anos, ela terminou com ele, ele insistiu de novo e ela não aceitou, era uma pessoa determinada, hehehe ainda bem meses depois o cabra morre do coração.
Tia Clarice era muito figura e morreu solteirona, mas numa boa sem grandes traumas, mesmo bem doente, encamada já à alguns anos, com 97 anos quando morreu ainda tinha um gênio forte e tiradas engraçadas, mas só para quem ela reconhecia, alguns poucos dentre eles eu.

Daniela Chindler 9/8/04 6:20 PM …

Oi, preciso desenharfigurinos para um evento. O tema é Rio Antigo. O cenário vai ser um botequim/café. Você poderia me enviar algumas imagens? Fico em dúvida qual seria a melçhor época para retratar. Decada de 30? Inicio do século? Os figurinos são 90% masculinos. Meun e-mail é dani@sapotieventos.com.br e o telefone 2556-5612. Obrigada e adorei o fotolog.

andredecourt 9/8/04 6:26 PM …

Dani, fica meio difícil figurinhos, pois as fotos do meu arquivo são todas praticamente focadas na evolução urbana, só as de família e que no campo botequim/café não existem, vou ver se eu acho algo, mas as mais detalhadas serão como essa !

Luís Felipe Pires 9/8/04 8:57 PM …

Uma figura, então , essa tua (nossa) Tia Clarice !!

Marcelo Almirante 9/8/04 10:51 PM …

Belo registro.

rockrj 9/9/04 9:06 AM …

A Tia Clarisse tinha personalidade!

Vou te mandar aquela foto com boa resolução por e-mail.