foto de andredecourt em 01/04/05

Cai a tarde do primeiro de Abril de 1964 na Guanabara, o regime de Jango já é passado, praticamente todos os quarteis já debandaram para a nova ordem, os que ainda não foram são convencidos por telefone ou até mesmo por conversas amigas.

O sonhado contra-golpe fracassa, na realidade poucos tiveram coragem de defender um presidente que a cada dia se mostrava mais fraco e contraditório em suas decisões, arriscando a levar o pais ao caos social.

O povo nas ruas festeja, não imaginando os anos de chumbo que se iniciavam, gente iria ser morta, cassada, exilada, muitos por apenas discordar do regime, alguns por tentar criar outro golpe.

O clima é de aparente tranquilidade em alguns lugares papéis picados caiam dos prédios da Rio Branco, mas em outros havia um clima tenso.

A praia do Flamengo era um desses endereços, o prédio do velho Clube Germânia, invadido na época da segunda guerra pelos mesmos estudantes que apedrejaram os bares alemães, depois reabertos com nomes brasileiros, e entregue por Vargas a UNE pegava fogo.
Móveis, papéis ardiam na pista lateral da praia.

As pessoas olhavam, alguns felizes, outros espantados, mas ninguém deveria estar imaginando que em pouco mais de 10 anos o estado federativo em que estavam não existiria mais, que em 15 anos o prédio que viam seria demolido, junto com outros, numa manobra de apagar as memórias da velha capital federal, e que o o golpe que imaginavam que seria mais um dos típicos golpes constituicionalistas que aconteciam de tempos em tempos seria um regime que duraria 20 anos.

No topo do prédio ainda sobrava uma faixa ” A UBES repudia a marcha dos golpistas”

Comments (20)

joelmarinho disse em 01/04/05 15:44 …

estudava no Zaccaria, do outro lado…que tempo danado !!!

jban disse em 01/04/05 15:58 …

O terreno vazio ficou anos desocupado, até que construiram um prédio de apartamentos.

andredecourt disse em 01/04/05 15:59 …

João, o terreno está vazio até hoje !

jban disse em 01/04/05 16:03 …

Hummm….. então construiram no terreno ao lado. OK, me enganei. :)

Alvaro Gabriel disse em 01/04/05 16:09 …

Não fiz parte do movimento estudantil.
O máximo que me coube foi conhecer, anos mais tarde, os “líderes” dessa época. Confesso que me decepcionei muito. Pouco conheci (pouquíssimos) que haviam lido, por exemplo, Casa Grande e Senzala. Vi outro dia num canal 66 da vida o Antonio Carlos Fontoura declarar na maior cara de pau que quando foi dirigir Copacabana me Engana nunca tinha entrado num estúdio de cinema. Daí me lembrei que raros eram os “gênios” do CPC da UNE sabiam qualquer coisa de alguma coisa.

Você pega os que sobraram e ainda estam por aí, no estribo desse bonde chamado Brasil, e não conta na metade dos dedos da uma mão alguém que mereça a sua atenção.

Agora desordeiros tivemos muitos. Sujeitos que como não tinham argumentos (ou tinham e não sabiam explicitá-los) partiam para porrada. Muitos morreram. Para mim não foram heróis; foram bobos mesmo. Deram a vida por nada.
Seus colegas hoje estão no poder fazendo acordos com os Waldomiro e Cachoeiras da vida.

Outros como diz o Belchior, estão em casa (ou no ministério) guardados por Deus contando o vil metal.

Última pergunta: você já viu, ou ouviu, os líderes estudantis de hoje ?
Nem queira.

andredecourt disse em 01/04/05 16:13 …

Os líderes estudantis hoje…hahahaha pararam nessa época aí, continuam com mesma cabeça, e se jovens pensam como a 40 anos atrás, não quero nem imaginar o que serão velhos !

bemaia disse em 01/04/05 16:22 …

Joel, eu também estudei no Zaccaria, anos sepois de você, é verdade. O máximo da manifestação estudantil que vi e não participei foi a passeata contra o Collor! É deprimente…
Beijos, Bê.

luiz.darcy@uol.com.br disse em 01/04/05 17:29 …

Uma das grandes obras da ditadura foi acabar com o movimento estudantil. Desta forma, o nível dos políticos desabou, aparecendo tudo isto que hoje aí está. Conheci, na década de 60, muita gente do movimento estudantil e havia um pessoal muito bem preparado (ao lado, é claro, dos oportunistas, dos sectários, dos radicais). A apatia das gerações pós-80 levou, em grande parte, ao atual estado de coisas. Cada um por si, alienado, cuidando de seu pedaço, e a cidade, o estado, o país se despedaçando. Desaprendeu-se a ser cidadão. E como resgatar isto?

Alvaro Gabriel disse em 01/04/05 17:57 …

Luiz, não quis dizer que não havia gente boa no movimento estudantil dos anos 60. Relatei apenas que os que eu conheci, tempos depois, não me impressionaram muito; eu diria nada. Vi, isso sim, muito ódio, muita basófia, muita comédia D`larte. Alguns sumiram e nunca mais apareceram. Outros sumiram e os encontro agora diretores da Coca Cola ou do Unibanco.

Não é do meu feitio desacreditar no ser humano. É, sim, do meu perfil desconfiar sempre das atitudes que poderiam estar muito mais à feição de um bom divã de analista.

luiz.darcy@uol.com.br disse em 01/04/05 18:54 …

Alvaro: perfeito o último parágrafo.

jucafii disse em 01/04/05 19:21 …

estudei aí, andré, quando era escola de Música da Fefierj… antes de virar Uni-Rio e ir pra Urca.

leflaneur disse em 01/04/05 20:33 …

Não falo mais sobre isso.

O que tinha pra dizer, já disse. Essa foto é ótima. Mas o comentário, não vou comentar.

Podem cair de pau. Anos de chumbo, com certeza para mim… Mas o próprio Lula é indeciso a respeito.

O mais longevo golpe que o País sofreu foi a Proclamação da República. Golpe militar, contra um Estado de Direito, onde o Marechal Floriano, republicano na undécima hora ao ver a Família Imperial ser embarcada à noite disse: “então tudo é possível.”

Vivamos isso. O golpe mais longevo da história do Brasil foi a proclamação da República. Não deve haver dúvidas sobre isso.

leflaneur disse em 01/04/05 20:34 …

República de súditos, ao invés de um Império de cidadãos.

gabriel_andrade disse em 02/04/05 00:09 …

Corre q é FOGO!!!!!!!

vfreitas@ disse em 02/04/05 09:19 …

Concordo com leflaneur. O Golpe de 64 foi um corolário de outro, o 1º, o da Proclamação da República. O Brasil fez a transição da monarquia para a república da pior maneira possível, com reflexos negativos até a atualidade.

Lucas_Calvin disse em 02/04/05 09:38 …

Fui candidato ao grêmio de um dos maiores colégios do RJ ano passado. O M.E virou, através das suas diversas associações, uma série de tentáculos dos partidos políticos da nossa esquerda festiva. É uma pena.

Keila disse em 03/04/05 01:01 …

Pois é… Os líderes estudantis de ontem são os que estão no poder hoje. E é de uma ironia (ou não sei bem qual é a palavra realmente certa nesse caso) ver que eles se tornaram exatamente tudo aquilo contra o que lutavam naquela época.
E o terreno continua lá vazio, servindo de estacionamento. Parece que a UNE está com uma ação rolando há anos na justiça para retomar o terreno de volta, não é isso?
P.S.: Só pra informação de vocês, sou da geração cara-pintada, mas não participei de nenhuma das passeatas (eu ficava com a cara enfiada nos livros pra salvar a minha pele na escola… rs)

eduardo bertoni disse em 03/04/05 10:15 …

Tinha gente boa e séria no movimento estudantil.Na nossa faculdade ( minha e do Luiz Darcy) mesmo, havia gente preparada e interessada no País.
Ocorre que os mais de 20 anos de ditadura sufocaram o nascimento líderes políticos jovens.
Quando finalmente respiramos um ar menos plúmbico quem eram os líderes que se apresentaram?
Brizola, Maluf, ACM, Tancredo, todos carregando o limo do passado.
Então……….
Bom domingo, André!
Abs,
Bertoni
http://fotolog.terra.com.br/outromundo

/zecarioca disse em 03/04/05 22:56 …

Seu flog deveria ser indicado como material para-didático nas escolas!! Além das fotos e das informações, um texto muito bem escrito!!