foto de andredecourt en 27/05/05

Uma rara foto da velha rua da Misericórdia

A rua atual não possui mais o traçado original, pois com o desmonte do morro do Castelo e a demolição nos anos subsequentes de todo o bairro da Misericória a velha rua mudou literalmente de lugar.

Antigamente a rua da Misericórdia chegava a frente da igreja de São José, passando por “dentro” do atual prédio do Palácio da Justiça.

Era uma das ruas “maternas” da cidade criada logo que a cidade começou a descer do Castelo e pontilhada de pequenos becos, que demonstravam essa origem ancestral, como o do Guindaste e dos Ferreiros, os qual acho que é alguma das esquinas que aparecem na foto.

Essa foto foi tirada bem de fronte da Igreja de São José, e tomada em direção ao Calabouço, a esquina perto da curva possivelmente é a extinta rua Vieira Fazenda, antiga do Cotovelo.

Comments (12)

jro 27/05/05 14:05 …

Voce teria sido contra ou a favor da derrubada do Monte Castelo….ooops, quero dizer, do desmonte do morro do Castelo?
Eu teria sido contra.

Jro :-) )

Rafael Netto 27/05/05 14:47 …

Para mim a derrubada do Morro do Castelo foi o maior CRIME contra o patrimônio histórico, artístico e por que não, natural já cometido no Brasil. Simplesmente foi arrasado o núcleo original da cidade mais importante do País.

Eu sonho que em vez da derrubada do morro, tivessem feito um túnel no traçado da atual Av. Antônio Carlos. Sempre que passo por ali tento vislumbrar o trânsito saindo do túnel, com o morro e toda a sua história no lugar do horrendo Fórum e seu letreiro de motel.

Por outro lado, o Castelo já estava bastante degradado (favelizado) no início do século XX. Se tivesse sobrevivido, talvez restasse pouco pra contar a história até a década de 60. Aí o Lacerda removeria a favela e faria alguma reurbanização, para que finalmente nos anos 80-90 o que restasse do casario colonial fosse finalmente restaurado…

jban 27/05/05 15:59 …

Bando de criminosos que destruiram a história de uma cidade. Vim são distorcida do desenvolvimento onde o velho era ruim e o novo é bom. Hoje sabemos que não é assim. Imaginem o centro velho do Rio preservado e os arranha-céus plantados em outro lugar. Perdemos tanto e ainda temos muito. Mas do jeito que a coisa vai, já, já não sobra nada.

jban 27/05/05 16:18 …

Visão distorcida… meu comentário saiu distorcido…

rodperez 27/05/05 16:18 …

pelo menos fotografaram…

jban 27/05/05 16:38 …

André,

Obrigado ! ficando velho…

AG 27/05/05 18:00 …

Oh, modernidade. Quantos crimes se cometem em teu nome.

AG 27/05/05 19:26 …

Eu sei que é assunto recorrente mas citar Machado de Assis nunca é demais neste flog tão à feição de belos temas.

Então, vou postar só o iniciozinho de Esaú e Jacó para dar água na boca de quem ainda não leu. O cenário é o da foto; e seu entorno.

“Era a primeira vez que as duas iam ao morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos
podem dizer que conhecem uma cidade inteira (…)

(…). O íngreme, o desigual, o mal calçado da
ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, véu para baixo (…)

(…)Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla (…)

(voltando depois da consulta à cabocla vidente)

(…) E seguiram lépidas para o coupé, que as esperava no espaço que fica entre a igreja de S. José e a Câmara dos Deputados. Não tinham querido que o carro as levasse até ao princípio da ladeira, para que o cocheiro e o lacaio não desconfiassem da consulta.

Marcelo Almirante 27/05/05 21:01 …

Como se parece com uma das ruas da cidade baixa de Lisboa. Fala-se muito do cosmopolitismo de São Paulo, mais o Rio no final do século XIX também tinha uma boa parcela de imigrantes europeus.

Em 1872 a população da cidade era de 274.972 sendo 31% de estrangeiros, ou seja cerca de 85 mil habitantes.

A transformação da cidade num entroposto comercial, após a abertura dos portos, estimulou o recebimento de novas levas de imigrantes.

Em 1890 a cidade com população de 522.651, sendo 63% de população branca e 124.119 estrangeiros, ou seja 24% da população.

Rafael Netto 27/05/05 21:41 …

Afinal, ainda existe algo da Rua da Misericórdia? Ela não ligava o Largo e Ladeira da Misericórdia (que ainda existem, desfigurados) à Igreja de S.José? Acho que todo o traçado dela foi tomado pelo fórum.

A destruição da rua tornou perfeito o crime da derrubada do morro. Como se já não bastasse destruir o embrião da cidade, destruíram também as primeiras marcas de seu crescimento.

Pra quem não entendeu o “fórum com letreiro de motel”… na esquina da Praça do Expedicionário tem um letreiro grande que acende em neon azul “Tribunal de Justiça”. Razoável para um motel, patético para um fórum. Antes da construção do prédio novo tinha só umas letrinhas de metal lá do lado da Erasmo Braga. E na reforma tiraram todo o mármore branco do prédio e substituíram por uma pedra vermelha (também é mármore?), não imagino quanta grana deve ter rolado, e quanto deve ter embolsado quem ficou com o revestimento original.

Marcelo Almirante 29/05/05 4:06 …

Essa idéia de “arrasamento” dos morros do centro do Rio parece não ser de agora. Basta dar uma olhada nesse relatóiro do Ministério de Viação e Obras Públicas de 1894

http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u2261/000402.html

jban 30/05/05 9:06 …

A Igreja São José ficava no Inicio da rua da Misericórdia. Então, este foi o único trecho da rua que sobreviveu até os dias de hoje..