andredecourt's photo from 7/7/06

Hospital da Gamboa, início do Séc. XX

Vemos o hospital da Gamboa logo após os aterros da região para a construção do porto, a área ainda é dominada pelo capim que encobre os aterros ainda não muito nivelados, um pouco atrás vemos vestígios da velha linha do mar, do Saco da Gamboa, representados pelos trapiches agora abandonados e aguardando a demolição.

No topo do Morro da Gamboa vemos o conjunto do hospital e sua capela, o hospital constituído em 1853, com fins filantrópicos é hoje administrado pela Santa Casa de Misericórdia, mas a primeira unidade da região remonta há alguns anos antes, na casa de Saúde do Doutor Peixoto construída em terrenos considerados ventilados, isolados e com boa vegetação. Bons para o isolamento e recuperação de pacientes com doenças contagiosas, notadamente a febre amarela, que teve a sua primeira grande epidemia em terras cariocas no período de Dezembro de 1849 a Setembro de 1950.

A epidemia foi violenta, dos 166.000 habitantes da cidade atingiu 90.658 habitantes tendo 4.160 falecido, a epidemia vitimava de 80 a 90 pessoas por dia segundo estimativas do médico Pereira Rego. Houve nesse período também uma epidemia de varíola e outra posterior de Cólera Morbo.

O Dr. António José Peixoto fundou a primeira casa de saúde do Brasil, formado por Montpellier e Paris, teve muitas dificuldades para obter a autorização régia para a sua casa de saúde, em Agosto de 1840 ele requereu a primeira licença, solicitando apoio financeiro para o seu estabelecimento. Esse pedido foi levado à Imperial Academia de Medicina em 1841, que negou; na realidade reflexos de uma fogueira de vaidades entre os membros da academia e o Dr. Peixoto que com a sua competência e técnicas modernas vinha obtendo grande clientela inclusive em cirurgias de cálculos renais.

Superados esses obstáculos no final de 1841 a casa de saúde começou a funcionar num pequeno complexo de vários prédios no topo do Morro do Cal, hoje da Gamboa, dando frente para a praia da Gamboa e acesso pela rua homônima. Em 1852 com vários melhoramentos e amplos e novos prédios o estabelecimento era tão eficiente e moderno que o contra-almirante Dessoin, comandante em chefe da estação naval francesa no Brasil deu a ele o título de “Maison de Santé de la Marine Française”.

Em 1853 após as graves epidemias a Junta Central de Saúde, “requisitou” a casa de saúde do Dr. Peixoto, para ser a segunda enfermaria e emergência da cidade para doentes contaminados pelas epidemias que grassavam pela cidade, tendo seu nome mudado para Enfermaria NS. Da Saúde.

O hospital continua na ativa até hoje, apesar de pelo menos por fora suas instalações se mostrarem um pouco degradadas como toda a região no entorno.

Agradeço ao Dr. Heyder Gomes de Mattos e José Caruso Madalena pelas informações históricas compiladas

Comments (14)

edubt 7/7/06 11:16 AM …

Não tenho ideia onde é esse hosp.

Realmente nessa época algumas violentas epidemias de febre amarela atingiram a imunda e asquerosa capital. Só a partir da segunda ou terceira (não tenho certeza) é que as autoridades começaram a se conscientizar sobre a destruição de cortiços (imagina cortiços em predios coloniais) e a construção de vilas de diversas categorias. Canalização das águas, alguma rede de esgoto, etc.

Derani 7/7/06 11:33 AM …

Excelente registro. Não sabia deste hospital também.
Se não tivessem feito todos os aterros que fizeram na cidade, hoje seria impossível circular, mesmo se não houvessem tantos carros.

Rafael Netto 7/7/06 12:48 PM …

Continuo não tenho idéia de onde fica esse hospital. Vou ver se São Google Earth me responde…

http://fotolog.terra.com.br/rafael_netto

toty maya 7/7/06 4:40 PM …

Ele continua igualzinho ,a única modificação é o desgaste feito pelo tempo e descuido.
Toda vez que chego de sp e passo pela perimetral meus olhos se voltam para ele e fico imaginando a riqueza de histórias que guarda.
Também nessa região da portuária a antiga fábrica de chocolates Bhering chama a atenção

luiz_d 7/7/06 6:56 PM …

Belíssima foto!

Rafael Netto 7/7/06 7:16 PM …

Já localizei… fica perto da Perimetral, ao lado da Cidade do Samba, justamente no ponto em que o antigo litoral se aproxima ao máximo do novo.

http://fotolog.terra.com.br/rafael_netto

Luís Felipe Pires 7/7/06 10:43 PM …

Eu sempre fiquei imaginando como seria a orla da região do porto, antes dos aterros, com seus sacos ” , suas praias , seus trapiches ! Devia ser muito bucólico ! E, o Morro da Gamboa, com aquela capela, sempre o imaginei ( e bota imaginação nisso ),mas, rodeado de água seria o nosso Monte St. Michel , da França ! ( vejam foto, é quase igual !! )

andredecourt 7/7/06 11:28 PM …

Pois é Luís, devia ser muito bonito antes das atividades portuárias da segunda metade do sec. XIX acabarem com a região, na época dos aterros para o porto pouca coisa deveria sobrar na montoeira de trapiches, pequenos estaleiros e certamente muito lodo e assoreamento

Rafael Netto 7/8/06 7:58 AM …

Sem falar no fedor de óleo, lixo, esgoto e peixe morto…. arrrgh!!

http://fotolog.terra.com.br/rafael_netto

Jorge Silva 7/8/06 9:55 AM …

Rafael Neto; O que dizer de um paiz que vende para o estrangeiro,suas matrizes,reservas,e até megas propriedades,estão nos condenando a meros consumidores. Na nossa industria NADA foi investido,no cidadão, nem pensar. Esta frase é minha desde 1964: O Brasil é um gigante sem cérebro.

Rouen 7/8/06 5:03 PM …

Hoje de tarde fui até o Forte de Copacabana ver a exposição de fotos de Copacabana. Legal, gostei de ver ao vivo e a cores, aliais ao vivo e em PB!.

Waldenir 7/10/06 7:06 AM …

Bom dia, André.
A exposição de fotos suas e do Tumminelli está excelente,parabéns!
Estive no Forte no sábado,mas não cheguei a fazer contato com as pessoas,pois não tenho referências visuais de quase ninguém,exceto por aquelas fotos pequenas dos perfis.
Mas estava realmente demais.

paulo santos 10/11/06 12:54 PM …

Parabéns, o criador deste blog teve muita luz ao criá-lo. Muito legal!!

paulo santos