andredecourt's photo from 11/27/06

Continuamos com a nossa série sobre o desaparecido Bairro da Misericórdia.

A foto de hoje mostra a Rua do Trem, uma das desaparecidas vias de um bairro que foi sepultado pelas rápidas mudanças urbanas do sec. XX.

A rua do Trem, era uma via que acompanhava nos primórdios da cidade a linha da Praia da Piaçaba, um dos primeiros portos da cidade, por onde a cidade encarapitada no alto do Castelo tinha seu contato com o resto do mundo. E a prova desse velho litoral era o alinhamento da rua do Trem com a Rua de D. Manoel, outra rua que foi praieira.

Com o recuo no mar, nesse trecho da cidade, como também na Praça XV, no início da cidade, natural e expontâneo, certamente algum efeito do desmatamento ou de erosão. A rua acabou ficando interna, mas permaneceu no imaginário da cidade.

A Rua do Trem tinha esse nome pois era a via que dava acesso ao principal portão do velho Arsenal de Guerra, também conhecida como Casa do Trem. Era uma via de pequena extenção, que saia do Largo do Moura, por trás do Necrotério e ia se encontrar em L com o Beco da Batalha bem no portão do Arsenal.

Um dos lados da rua era ocupado diretamente com os prédios do Arsenal,  o outro por construções civis, como mostra a foto, velhos sobrados, ainda com muitas características coloniais e poucos elementos ecléticos. No fundo da foto vemos o portão da Casa do Trem.

Com a Expo de 1922, todo o tecido urbano que vemos nessa foto desapareceu, uma parte do velho arsenal foi demolido e a outra completamente modificada para se transformar no Pavilhão das Grandes Indústrias. Os quarteirões que se situavam entre a Rua da Misericórdia, Beco da Batalha, Largo da Batalha e Rua do Trem, desapareceram nessa época para a construção do Pavilhão dos Estados, posteriormente Ministério da Agricultura e demolido nos anos 70 junto com o Monroe para nada existir até hoje no local.

Comments (5)

Luiz D’ 11/27/06 7:45 AM …

André,
a série está ótima. Boas fotos e excelente texto.

derani 11/27/06 7:52 AM …

Devia ser uma área pouco valorizada, o aspecto ainda colonial das construções mostra a ausencia de reformas de atualização de fachadas.

Wilson 11/27/06 9:18 AM …

Prezado Andre.

Seu Fotolog está, pouco a pouco, se transformando num acervo riquíssimo sobre esta nossa cidade. Dentro em breve, vai chegar a hora de reunir num livro, possivelmente acompanhado de um DVD, estas fotos com suas descrições e alguns comentários esclarecedores de nossos amigos frequentadores.

Parabéns. No seu incansável trabalho, as futuras gerações encontrarão subsídios para o estudo das origens e da histórias do Rio de Janeiro.

Sinto-me orgulhoso só de testemunhar o surgimento deste acervo.

Cordialmente, Wilson Spinosa

caucaia1 11/27/06 9:54 AM …

André, que bela série. O casario desta foto evoca Ouro Preto.