Lido-Posto de Socorro e Restaurante Lido
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É muito comum a idéia que o Restaurante do Lido, foi demolido para a construção da escola Roma, ou que o mesmo teve seu uso modificado para abrigar a Escola Cristiano Hamann e demolido no governo Carlos Lacerda para a construção da Escola Roma.
Mas os prédios eram distintos, sendo o Restaurante Lido construído posteriormente ao prédio que abrigou a escola e substituído por outro, e demolido antes desta substituição, nossas três imagens de hoje porão fim a essa dúvida que é muito comum.
Na nossa primeira imagem, vemos uma tomada feita da casa dos Bernardelli, aliás como são todas, que mostra o recém inaugurado Posto de Assistência a Banhistas e Afogados na então Praça 26 de Janeiro. Demanda antiga dos moradores de Copacabana, e única das 3 estações de Socorro imaginadas por volta de 1908 a ser erguida, embora mais completa e maior do que as projetadas. O Posto de Assistência começou a ser construído na Adm. Paulo de Frontin, junto com as primeiras modificações da urbanização original da praça de 1910.
Concluído somente 3 anos após, na Adm. Carlos Sampaio o prédio possuía o estilo neo-colonial tão na moda na época e ficava junto a Av. Copacabana. Na foto vemos a primeira urbanização da praça, com cercas de estilo romântico, aléias gramadas e piso de macadame. Na extrema esquerda da imagem vemos um pedaço da primeira versão do restaurante Lido, também de 1919, na verdade um quiosque em forma octogonal, essa urbanização ainda contava com uma terrace elevada junto à Av. Atlântica, que não aparece na foto.
As duas imagens seguintes mostram a praça reurbanizada, recém inaugurada pelo Prefeito Prado Júnior em inícios de 1929, com o urbanismo que se consagrou clássico e que permaneceu assim até o final dos anos 50, quando a praça começou a sofrer sucessivas reurbanizações que tiraram muito de seu charme. A data das duas imagens pode ser assegurada fazendo um paralelo com uma foto postada pelo Luis D´ de 5/10/1928 que mostra o Palacete Veiga, na esquina com a Rua Ronald de Carvalho ainda em construção (http://fotolog.terra.com.br/luizd:691 ) , nas nossas imagens ele aparece estalando de novo, o que nos dá realmente o início de 1929.
Nenhum dos prédios em estilo puramente déco ainda tinha sido levantados em volta da praça, só os mais antigos em estilos que mesclavam algo de déco, com forte influência noveu e eclética,
No centro da praça é claro vermos o grande chalé normando, que abrigou o restaurante Lido por 30 anos, sendo um dos pontos chiq´s do bairro durante o dia, e ponto da boemia e das orquestras e seus bailes dançantes à noite. O prédio foi demolido exatamente quando a concessão caducou, e não foi renovada pela prefeitura, que queria instalar ali um playground para crianças, se protestou, mas o restaurante ainda bem freqüentado, em perfeito estado e administração exemplar foi a chão, para se construir um parquinho e um mar de pedras portuguesas. Pois junto com o restaurante foram demolidos os pergulatos, e tapados os laguinhos.
Na última foto vemos a convivência dos dois prédios, o Restaurante Lido que aparece parcialmente à esquerda, junto ao pergulato e o prédio do Posto de afogados, convertido nos anos 50 em escola de posteriormente demolido para a implantação da escola modular do Estado da Guanabara, de projeto de Francisco Bologna como aliás várias outras da cidade, tendo em Copacabana sua contemporânea a Dr. Cícero Penna.
Fotos de Malta
Richard comentou,
Lindas fotos! Para mim, inéditas. A primeira então…
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21 de abril de 2008 às 17:20
JBAN comentou,
Uma aula sobre a Praça do Lido. Desde quando o Burrico Dudu começou a fazer o seu ponto nessa praça ?
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21 de abril de 2008 às 18:37
Roberto Valentim comentou,
Se eu tivesse, daria uma fortuna como a de Bill Gates, por uma máquina do tempo que me levasse ao Rio de Janeiro da primeira metade do século XX! André (e também os demais que fazem este trabalho de preservação e resgate da memória do Rio de Janeiro antigo), seu trabalho é magnífico, fascinante! Dá vontade de chorar quando, depois de ver estas fotos, saio às ruas e me deparo com o Rio dos dias de hoje, tão superpopuloso, tão violento, tão sujo, tão mal cuidado, tão escondido atrás de enormes prédios. Em tempo: se há, não é de meu conhecimento: existe uma rua, ao menos uma praça, que leve o nome de Augusto Malta ou Marc Ferrez, dois dos grandes responsáveis por termos tantas fotos do Rio, cobrindo um período tão grande de tempo? Lanço a idéia de se fazer uma campanha para isso. Abraço.
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22 de abril de 2008 às 0:10
Roberto Valentim comentou,
Ah, esqueci: não bastassem as fotos, que por si só já seriam um presente e tanto, de quebra, ainda temos uma aula de história sobre as ruas e os bairros da cidade. Absolutamente fascinante!
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22 de abril de 2008 às 0:17
Rafael Netto comentou,
Sensacional a comparação da primeira com a última foto, autêntico “antes e depois” do início do século passado!
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22 de abril de 2008 às 9:31
Oswaldo Mendez comentou,
Fotos fantásticas e uma aula de história, parabéns!
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22 de abril de 2008 às 14:37
Derani comentou,
Muito bom… nunca tinha visto os dois juntos, o Posto de Salvamento e o Restaurante Lido.
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22 de abril de 2008 às 17:03
Derani comentou,
Publiquei foto em detalhe do posto de salvamento:
http://fotolog.terra.com.br/nder:781
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23 de abril de 2008 às 10:40
Jason_1900 comentou,
Bela seqüência e ótima história!
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23 de abril de 2008 às 11:30
André Costa comentou,
Me desculpe discordar um pouco de sua informação – O grande chalé normando, que abrigou o restaurante Lido por 30 anos como se refere acima e como aparece na foto central também na minha vivência pessoal esse prédio ainda continuou existindo até os anos 60 (ver: http://www.eayearbooks.com/rio_images15e.htm), quando só então ele e o prédio do posto vieram abaixo para dar lugar à nova escola denominada Roma, com arquitetura e local completamente diferente deste.
Posso afirmar mais uma vez isso pois estudei nesse prédio convertido em alguma época na Escola Christiano Hamman, entrando por anos a fio pela sua lateral e indo para uma de muitas de suas salas circundantes com grandes portas envidraçadas, que no inverno nos congelavam, mesmo com japonas colocadas sobre o uniforme.
As salas ficavam em volta do miolo do prédio que tinha um grande salão onde faziamos o tradicional lanche escolar, lembrando talvez a antiga área utilizada pela cozinha daquele restaurante. A propósito ainda lembro que detestava quando serviam peixe com pirão que éramos obrigados a comer.
A única possibilidade de ter sido demolido é que a escola onde estudei tivesse sido construida em seu lugar com arquitetura muito parecida, pois minha memória ainda registra muito dessa imagem do perímetro, dos telhados baixos tipo varandão, no contorno do prédio, podíamos correr a toda a volta por dentro da escola que tinha as grades de ferro sobre os muros baixos. Bom esse é meu depoimento, que coisa, o tempo está passando e eu escrevendo sobre minha própria vivência dos fatos. A época de garoto já vai ficando para trás.
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Andre Decourt respondeu em 23 de abril de 2008 às 12:05:
André
Conhecemos o neto do concessionário do Restaurante Lido que era o Sr.Frederico Burlamaqui. Basilio Schaefer o neto do concessionário e homem que batizou o restaurante e conseguentemente todo um trecho do bairro hoje é amigo de meu pai e já me mostrou toda a documentação do restaurante a qual ele quarda até hoje e o período da sua demolição, ele conta que a desativação do restaurante e sua demolição foram terríveis para a família que vivia em torno do negócio e pelo que parece a adm distrital acenou durante anos que ela seria renovada e mudou de idéia no último instante. Houve uma briga judicial que se arrastou por uns 2 anos, mas eles perderam. Existem recortes da época mostram empregados na rua e o cancelamento de shows.
Em 1961 a Escola Roma começava a ser construída.
A foto do Link por incrível que pareça é dos anos 40, se reparar bem no extremo direito da imagem ainda aparece um pedaço do muro da casa dos irmâos Bernardelli, Copa realmente era um bairro moderno ainda mais no Lido. Nessa época o restaurante funcionava a todo vapor. Nesse ano a concessão fará 50 anos de caçada, com certeza leremos algo nos jornais quando do aniversário
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23 de abril de 2008 às 11:30
André Costa comentou,
Retornei agora à pouco aqui na navegação e procurei por mais informação ao acaso no Google sobre o assunto, curiosamente o Sr Basilio Schaefer acaba de deixar registrado sua narrativa no site Copacabana (http://www.copacabana.com/pra-lido.shtml)
E um comentarista – Rodrigues de Sá relata ali que estudou na mesma escola que eu, descreve do mesmo modo que fiz o prédio com varandas iguais às do restaurante. A dúvida a ser tirada é :
Quando e de que modo surgiu a Escola Chistiano Hamann ? Isso resolveria se foi construida nos mesmos moldes do restaurante. Essa pesquisa sei que é muito mais difícil, e só com informações antigas dentro da documentação da Secretaria de Ensino ou Obras, o que torna quase impossível de obter, já que temos nossas correrias e somos pesquisadores curiosos, mas quem sabe alguém possa responder ou confirmar algo futuramente.
Tinha esquecido postei um angulo diferente da praça (http://www.fotolog.com/sorio/36553087)
Para mim todos relatam dados aqui que são verdadeiros, mas a cronologia e o quebra-cabeça ainda não encaixa totalmente e não ficou completo.
As fotos são todas espetaculares, à muito esperava por ver essa região da minha infância. Na época pegava o bonde que circulava na contramão na calçada oposta à praça na Av N S de Copacabana, enquanto esperavamos eu e meu irmão circundávamos o predio ao lado. O único vexame para quem estudou nessa época era o avental branco com nome bordado que tinhamos que usar, parecia um vestido comprido, acompanhado de um chapeu de palha também obrigatório, vou postar uma foto nossa em http://www.flickr.com/photos/11800665@N02/
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Andre Decourt respondeu em 28 de abril de 2008 às 13:16:
André o que pode ter ocorrido que na pressa do Gov. Carlos Lacerda tinha de fazer escolas ele pode ter usado o tanto o restaurante para abrigar alunos enquanto as novas escolas do bairro; Cícero Penna (já existente mas com novo prédio sendo construído), Roma, Alencastro Guimarâes e Infante Don Henrique (tb reforma de escola já existente) ele tenha abrigado criânças no restaurante ou no posto por um breve período de tempo, coisa menor que um ano
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23 de abril de 2008 às 18:23