Roberto Tumminelli publicou ontem no seu “Carioca da Gema” uma imagem do livro Rio 70 da chegada da Via XI, junto à Av. Litorânea numa deserta Barra da Tijuca  por volta de 1968/69 (http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema:262 ).

Era a realização do Plano Piloto Lúcio Costa para a Barra, que previa uma cidade com mais espaço urbano, setorizada e criada para abrigar a expansão demográfica do Estado da Guanabara. Como em Brasília dava-se ênfase aos maiores deslocamentos por via rodoviária, sendo construídos eixos principais, de alta velocidade, sem interseções e cruzamentos, como era o trecho antes traçado para a BR-101, engolfada pela urbanização e transformada na Av. das Américas e a Via XI, superposta por velhas estradas que vinham da região do Anil e Gardênia Azul rumo ao Mar, depois chamada de Av. Alvorada e hoje Av. Ayrton Senna.

Mas o metrô era também pensado, na chegada da Linha 3, passando pelo Meier o final planejado da Linha 1,  no Cebolão, numa linha de 21 km vinda da Penha. Como também o mono-rail ligando Curicica até o Galeão, passando pelo Campinho, Madureira, Vicente de Carvalho, onde cruzaria com a Linha 2 do Metrô, Brás de Pinna onde se encontraria com o final da Linha Verde, indo então até o aeroporto. Curiosamente a Linha 4 não constava no Plano Piloto, certamente sendo só exequível depois do ano 2000.

Para quem tem a curiosidade de ver a planta original imaginada por Lúcio Costa e comparar com a atual ocupação do bairro, não só em espaços privados como públicos percebe-se que muito foi desvirtuado, se antes tínhamos um bairro estéril à luz de uma cidade adensada e espontânea, hoje temos bairro chegando prematuramente à saturação pela falta de um controle do crescimento controlado, funções básicas como esgotamento sanitário, transporte e meio-ambiente estão ameaçados. Se nos anos 50 isso aconteceu na Zona Sul, é inadmissível que aconteça de novo, ainda mais o plano original ter se proposto a evitar tais mazelas.

A chegada da Via XI na orla se aproveitava de um alargamento da restinga que separa a Lagoa de Marapendi do mar, facilitando a construção de uma ponte menor como a realização de um trevo sem muitos aterros.  Além de possibilitar segundo o Plano Piloto a construção em um dos lados desse grande banco de areia um núcleo de torres residenciais, sendo o outro lado destinado construções baixas, pequeno comércio e residências unifamíliares.

Nossa foto de 1981 mostra a construção do Condomínio Alfa Barra, construído no exato lugar pelo Carioca da Gema, 13 anos depois. Do cenário agreste de areia com densa vegetação de restinga pouca coisa sobra. A terraplanagem chega, em muitos pontos, à beira das águas da lagoa, destruindo o manguezal. As torres começam a se elevar do lado oposto do planejado pelo Plano Piloto,  outras serão erguidas também do outro lado, desvirtuando o que foi pensado, e acrescentando mais torres que pensava Lúcio Costa. Embora longe de chegar a exaustão da paisagem que acontece em Athayde Ville, onde os prédios planejados foram mais que triplicados, criando uma pequena Copacabana e segmentando o horizonte do bairro.

Nossa foto mostra a Av. Sernambetiba, antiga litorânea, já duplicada e urbanizada parcialmente já com o feio paliteiro de postes de iluminação pública de 18 metros, que entristeciam o urbanista Lúcio Costa, pois pelo seu plano a iluminação pública em toda a Barra deveria ser baixa e não bloquear visualmente o horizonte como acontece hoje.

O calçadão só seria construído por volta de 1991/92 quando a Barra e recreio ganharam um dos seus maiores surtos de urbanização pública na prefeitura de Marcello Alencar.
Junto aos carros estacionados por cima da areia vemos vários dos antigos trailers, transformados em quiosques na mesma reforma urbana, chamada de Rio-Orla que deu a atual cara das av. litorâneas da cidade do Leme até o Pontal.