Essa braçadeira de fiscal do PSD, faz parte do acervo da família, ligada a política e a história de nossa cidade desde os tempos de Braz Carneiro Leão.

Ela pertencia a minha tia-avó Clarice, filha do Vereador Rocha Leão meu bisavô, um dos fundadores do Partido Autonomista, membro da ANL, e que depois a redemocratização do país adotou a legenda do PSD como vários outros tenentistas e políticos não populistas de centro-esquerda.

Coube a tia Clarice, secretária do partido, e funcionária da Secretaria Estadual do Interior e Segurança fiscalizar algumas seções eleitorais de Copacabana.

Era uma das épocas de ouro de nossa cidade, na eleição anterior, a primeira do EGB as forças populistas e retrógradas que infligiam aos subúrbios e ao Sertão Carioca, o atraso, o assistencialismo e a miséria haviam sido derrotadas, numa eleição eletrizante pelo polêmico Carlos Lacerda, que modernizou e profissionalizou a máquina pública da cidade-estado, gerando um corpo técnico de altíssima competência, muitos egressos da PDF, onde eram mal aproveitados pela inconstância administrativa. Nessa eleição não foi eleito o candidato da situação, mas sim Negrão de Lima, prefeito do DF no difícil momento da saída da capital para Brasília, mas que mesmo sem verbas realizou obras e criou o embrião do que seria o poder público da GB, a toda poderosa SURSAN.

Vimos depois da eleição a continuidade do ciclo virtuoso pois mesmo sendo oposição Negrão de Lima continuou muitos dos projetos de Lacerda, transparecendo para muitos que este era o candidato do primeiro, embora Lacerda tenha manobrado para impedir sua posse, como aliás já tinha feito em 1958, quando da aprovação de um dos primeiros orçamentos autônomos do DF.

Infelizmente essa foi a última vez que essa braçadeira pode ser usada, o fgoverno totalitário de 1964, irritado com a eleição de froças de oposição na GB e em Minas, impetrou o AI-2 acabando com o pluripartidarimo no Brasil e criando dois caldeirões ideológicos o MDB e a Arena, que sobrevivem, bem modificados como os fisiológicos PMDB e DEM.

Na atual eleição assistimos como em 1960/61 a divisão de forças, de um lado a representatividade da política arcaica, do clientelismo, do populismo, do cargo político sem concurso público. E do outro uma chance de algo novo e moderno, embora como naquela época com alguns elementos não tão saudáveis, mas no quantitativo muito menos lesivos que no pólo contrário.