foi um RIO que passou

November 21, 2008

Estátua do Pequeno Jornaleiro

Filed under: Arquivo — Andre Decourt @ 7:45 am

Por motivos de obras nosso arquivo inédito, bem como os livros e demais materiais de consulta estão indisponíveis, portando faremos um repeteco de posts que foram realizados no fotolog desde o início do “foi um RIO que passou”, quando possível com os textos revisados e enriquecidos. O de hoje, publicado em Abril de 2005.

 

 Vemos a estátua em seu lugar original, na confluência das ruas Miguel Couto, Ouvidor e Av. Rio Branco.

O que muita gente não sabe que a estátua do Pequeno Jornaleiro é um dos maiores símbolos da administração Pedro Ernesto em nossa cidade, pois com sua cassação por Vargas, acusado de ter colaborado com a Intentona, todos os símbolos de sua administração, bem como políticas educacionais e de saúde foram banidas, o busto do antigo prefeito doado por funcionários da PDF desaparecido dentre outros “dispositivos” típicos de um regime totalitário.

A história da estátua começa com a publicação de uma notícia pelo jornal A Noite no dia 23 de Setembro de 1931 sobre Heitor dos Prazeres, onde o compositor e pintor falava sobre sua infância miserável no “Mangue” do Estácio, e perguntado sobre qual samba queria ver publicado na reportagem escolheu o triste “Jornaleiro”, a reportagem causou uma comoção inesperada nos leitores, onde as correspondências ao periódico começaram a criar corpo de uma campanha humanitária e filantrópica. Rapidamente o jornal começou uma campanha de fato para a arrecadação de fundos para os menores desamparados da cidade.

O prefeito Pedro Ernesto fez uma doação de 10 contos de réis para o fundo, o apoio oficial foi como uma grande caixa de ressonância na população e a campanha começou a atingir todas as esferas da sociedade.

Aderindo a campanha, o artista plástico Anísio Mota, inspirado pela triste letra da composição de Heitor dos Prazeres fez a escultura do menino maltrapilho, com o chapéu de abas rotas caindo sobre sua face triste de onde uma boca escancarada faz o pregão das publicações que vende pela cidade.

A estátua foi inaugurada em primeiro de junho de 1933, com a presença do prefeito e alunos da rede pública. Que contava com um programa revolucionário de educação laica, que estava deixando a igreja e setores conservadores literalmente em pé de guerra com o prefeito. Contava com a seguinte placa “ A noite, à cidade no governo do Dr. Pedro Ernesto”, a “casa do garoto” como seria chamada já tinha terreno e projeto, mas com o recrudescimento da política de posteriormente da cassação do prefeito não foi construída.

Em 1940 Vargas inaugura a “casa do Pequeno Jornaleiro” onde Vargas buscava preencher o lugar de Pedro Ernesto como benfeitor dos pobres, na inauguração o cardeal D. Sebastião Leme conclamou ao meninos: terem como espelho da verdadeira mãe D. Darcy Vargas, mais estado novo impossível.

A estátua hoje foi removida do seu lugar original e escondida na rua Sete de Setembro no quarteirão entre a Av. Rio Branco e Gonçalves Dias.

Agradeço pelas informações históricas a Carlos Eduardo Sarmento em seu livro O Rio de Janeiro na Era Pedro Ernesto.

foto: National Geographic

7 comentários »

  1. Quais seriam os símbolos da administração Pedro Ernesto banidos por Vargas?
    O Hospital Pedro Ernesto não foi construído nessa época? Teve outro nome?

    A frase na placa do monumento diz “A Noite à cidade”, isto é, o jornal A Noite ofereceu o monumento à cidade.

    A estátua foi parar na Sete de Setembro, se não me engano nos anos 90, com a reforma da Av. Rio Branco e das ruas adjacentes que ganharam as calçadas altas e paralelepípedos. O espaço, remanescente de um PA jamais executado da Sete de Setembro, ganhou o nome de Largo do Pequeno Jornaleiro.

    [Reply]

    Andre Decourt reply on November 21, 2008:

    O maior símbolo era o programa educacional das escolas municipais e o bastião da autonomia fiscal e administrativa do DF.

    O Hospital Pedro Ernesto tinha outro nome, acho que só o ganhou já nos anos 50

    [Reply]

    Comment by Rafael Netto — November 21, 2008 @ 10:14 am

  2. Putz… se eu tivesse visto antes tinha feito um post duplo. Ok! Na semana que vem.

    :D ;)

    [Reply]

    Comment by Roberto Tumminelli — November 21, 2008 @ 11:07 am

  3. Sr. André,

    Em 11/11/08 esta mesma foto foi apresentada no site Saudades do Rio - AD (Administrador Desconhecido); será um site também seu? ou é apenas uma coincidência?
    Pela indisculpável omissão dos outros homens, que além de mim, lá comentaram a foto, transcrevo aqui meu comentário lá feito:

    Interessante! Parece que ninguém, dos homens pelo menos, notou a mulher no primeiro plano da foto!
    Um belo exemplar de “presença”, charme e elegância.
    Infelizmente nesse ano eu estava nascendo.
    Muito difícil encontrar mulher, hoje, no Rio, com esse porte, em plena Av. Rio Branco; particularmente de vestido.Bons tempos que não vivi!
    SDS, Vitor

    [Reply]

    JBAN reply on November 24, 2008:

    Sempre desconfiei que AD significava André Decourt… Acho que acertei !

    [Reply]

    Luiz Carlos reply on November 26, 2008:

    Vítor, você tem olho clínico.
    E garanto que ela não tinha nenhuma tatuagem. Era, simplesmente, uma MULHER! Linda, graciosa e feminina.
    Naquele tempo as mulheres não precisaram de academia, piercing… e o bumbum era “segredo de Estado”. Só os felizardos podiam ver… sem merecessem tal privilégio.

    [Reply]

    Comment by Vitor Floresta de Miranda — November 22, 2008 @ 4:22 pm

  4. Post duplo:

    http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema:430

    :D

    [Reply]

    Comment by Roberto Tumminelli — November 24, 2008 @ 6:23 pm

Deixe um comentário

Post anterior Próximo post