Semana passada foi noticiado nos jornais que finalmente o TJ-RJ ganhou a queda de braço que fazia com determinados setores da prefeitura e finalmente conseguirá construir mais prédios modernos no entorno da abandonada Praça dos Espedicionários, marco de onde ficava o “Castelo” do Morro do Descanso e nas margens do bairro mais antigo da cidade, hoje praticamente desaparecido.

Alguns frequentadores do site pediram que fosse dado um repeteco, já que estamos ainda nas reprises, sobre uma série feita em 2006 sobre o bairro, com mapas e fotos aéreas. Estou então colocando a série e em seguida começaremos com o material inédito novamente.

A foto de hoje mostra a Rua do Trem, uma das desaparecidas vias de um bairro que foi sepultado pelas rápidas mudanças urbanas do sec. XX.

A rua do Trem, era uma via que acompanhava nos primórdios da cidade a linha da Praia da Piaçaba, um dos primeiros portos da cidade, por onde a cidade encarapitada no alto do Castelo tinha seu contato com o resto do mundo. E a prova desse velho litoral era o alinhamento da rua do Trem com a Rua de D. Manoel, outra rua que foi praieira.

Com o recuo no mar, nesse trecho da cidade, como também na Praça XV, no início da cidade, natural e expontâneo, certamente algum efeito do desmatamento ou de erosão. A rua acabou ficando interna, mas permaneceu no imaginário da cidade.

A Rua do Trem tinha esse nome pois era a via que dava acesso ao principal portão do velho Arsenal de Guerra, também conhecida como Casa do Trem. Era uma via de pequena extenção, que saia do Largo do Moura, por trás do Necrotério e ia se encontrar em L com o Beco da Batalha bem no portão do Arsenal.

Um dos lados da rua era ocupado diretamente com os prédios do Arsenal, possivelmente o que vemos aqui ( http://ubbibr.fotolog.com/andredecourt/?pid=20414237 ) o outro por construções civis, como mostra a foto, velhos sobrados, ainda com muitas características coloniais e poucos elementos ecléticos. No fundo da foto vemos o portão da Casa do Trem.

Com a Expo de 1922, todo o tecido urbano que vemos nessa foto desapareceu, uma parte do velho arsenal foi demolido e a outra completamente modificada para se transformar no Pavilhão das Grandes Indústrias. Os quarteirões que se situavam entre a Rua da Misericórdia, Beco da Batalha, Largo da Batalha e Rua do Trem, desapareceram nessa época para a construção do Pavilhão dos Estados, posteriormente Ministério da Agricultura e demolido nos anos 70 junto com o Monroe para nada existir até hoje no local.

Terminamos hoje a série sobre o extinto Bairro da Misericórdia.

A foto de hoje é um fragmento de uma áerea do final dos anos 50, e mostra o último pedaço do bairro que se mostrava de pé, embora em ruínas.

No extremo esquerdo da foto, vemos que o Beco do Guindaste é a única via que mantem um quarteirão ainda integro, ao seu lado do Beco da Boa Morte só possui as casas junto a rua de D. Manoel o resto já foi demolido. Mas dos velhos becos o mais impressionante era o sinuoso Beco dos Ferreiros, que praticamente desapareceu pois vários prédios foram demolidos ficando vários terrenos baldios sendo impossível acompanhar seu traçado.

Já a rua do Cotovelo uma das quais a nova Av. Erasmo Braga foi traçada por cima, ainda possui dois solitários sobrados indicando sua esquina coma rua de D. Manoel, já o Beco da Fidalga desapareceu totalmente. Dos cinco sobrados que existiam no quarteirão da rua de D. Manoel entre o citado beco e o Beco da Torre, só restam 3 de pé, do quarto só sobra a fachada em ruínas, e no fundo do Beco da Torre o edifício Estácio de Sá aparece recém inaugurado.

Na parte inferior esquerda da foto temos os desaparecidos Mercado Municipal e toda a Rua Clapp, desaparecidos para a construção do Perimetral.

Poucos anos depois os últimos vestígios do velho bairro irão desaparecer de vez, na foto por exemplo nem a rua da Misericórida está mais no seu velho traçado, que é indicado pela linha dos sobrados quase no topo da foto. O último logradouro a desaparecer será o Beco do Guindaste já nos anos 60 para a construção do Fórum.