Nessa foto da revista Life é mostrada a esquina da R. do Ouvidor com a R. do Mercado no início dos anos 70.

O trecho um dos mais antigos da cidade, na época da foto ainda exercia sua principal função, da venda de produtos horti-granjeiros, pescados e produtos relacionados a pesca e manutenção predial. Não obstante a pouquíssimos metros estarem instaladas além  da Bolsa de Valores  inúmeras sedes de instituições financeiras e corretoras de valores.

A Rua do Mercado como inúmeras outras nessa parte da cidade já foi praieira nos tempos coloniais. Após o recuo natural do mar de mais ou menos dos fundos da Igreja de Santa Cruz dos Militares até a R. do Mercado. Passando a se chamar Rua da Praia do Peixe, aterros posteriores, esses pela mão do homem, afastaram a  rua do mar para a criação de novas docas, que estão na mesma linha até hoje.

Ela ganhou esse nome quando da construção do velho mercado municipal, projeto de Grandjean, demolido em 1906, pois virou o acesso mais fácil e reto para a praça de comércio, ganhando aí forte tradição no ramo de alimentos brutos, atacado e alfaias para pesca e agricultura, junto com outras ruas já desaparecidas, como a Clapp.

Mesmo com a demolição do velho Mercado, a construção do “novo” na Misericórdia, sua demolição e transferência para a CADEG em Benfica, a região teimosamente continuou com a sua tradição durante todos os anos 70 e parte dos 80, quando entrou em profunda decadência. Sendo esta o motivo da preservação do conjunto, que mesmo em mal estado mantém as características originais do final do séc. XIX início do XX.

Com a criação dos centros culturais junto ao Mineiros, a região conhecida por sua boêmia vespertina vem ganhando nos últimos 10 anos sofisticação, com a abertura de restaurantes, livrarias, galerias de arte, reforma dos velhos bares e restaurantes pré existentes e um programa de restauração dos velhos sobrados.

Porém o urbanismo do local não vem acompanhando a mudança de uso, esgotos transbordando, iluminação pública precária e pavimentação má mantida fazem a tônica. Embora vários trechos dessa área tenham escapado das pavorosas “requalificações” urbanas da última década na região ou de reformas desastradas como a que afetou a própria R. do Ouvidor após a Primeiro de Março. Se tranformando numa cápusula do tempo de como eram as estreitas ruas do Centro antigamente. Mas vá antes que algum prefeito bote as mãos sem nenhum bom gosto no lugar.