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Confome falamos ontem, mostraremos hoje o Solar Monjope um dos marcos do neo-colonial brasileiro, demolido criminosamente nos anos 70.

Construído por cima de uma construção anterior a antiga Chácara da Bica, essa sim uma construção colonial, o solar foi a obra da dedicação quase doentia do médico José Mariano Filho, que recolhendo inúmeras peças coloniais legítimas pelo Brasil, notadamente a região Nordeste construiu sem dúvida o maior monumento ao estilo neo-colonial no Brasil.

A dedicação ao estilo, tão em moda  a partir do final dos anos 10, início dos 20, transformou Mariano (ou Marianno) num dos embaixadores do estilo, passando a ter status de arquiteto, embora não o fosse. Fazendo concursos com a ajuda velho IA, escrevendo apaixonadas matérias, e chegando a presidir a Associação Brasileira de Belas Artes em 1924  e posteriormente  sendo Diretor da Escola Nacional de Belas Artes, que formava os arquitetos. Crítico ferrenho dos estilos estrangeiros, como o Normando e o Missões  “Na terra brasileira, se implantam, sem processo algum de adaptação às condições físicas e espirituais da nacionalidade,os estilos de terras estranhas cujas características foram obtidas, sob a influência de fatores totalmente opostos aos que atuam no país.” e defendia as origens da nossa arquitetura conclamando uma volta ao passado senhorial “A casa brasileira não poderá ser senão a nossa velha casa patriarcal, com o largo beiral de telhões de faiança, os alpendres floridos…”  Com o movimento a todo vapor, com o status quo do estilo oficial brasileiro, Mariano organizou em 1930,  no IV Congresso Pan-Americano de Arquitetura uma festa junina. Evento oficial do evento onde loas ao estilo foram oficializadas no relatório final. Porém a fogueira foi pulada com os estilos modernos já nos calcanhares do neo-colonial, estilos mais adaptados a nova realidade vertticalizada do Brasil, como o art-déco e o modernismo puro, que passariam já nos anos 30 a ditar a moda das construções relavantes, sobrevivendo o neo-colonial e residências unifamiliares e pequenos prédios erguidos nas novas áreas abertas da Z. Sul e Norte.

Essa história talvez explique o ódio de Lúcio Costa ao eclético, pois foi formado nesse ambiente exagerado e pior, conduzido por um médico e não um homem de belas artes. A vingança possivelmente foi a complacência do DPHAN e depois IPHAN, dirigido por L. Costa, até os anos 70 com as picaretas de punham abaixo a Av. Rio Branco, os casarões da Z. Sul e conjuntos dos anos 30 e 40.

A casa, suprema ironia,  foi abaixo sob um parecer dúbio de Lúcio Costa, que apenas recomendava sua preservação com um exemplar de uma época e impunha mais cuidados aos jardins do grande terreno cheio de frondosas árvores fruitíferas, outra característica do estilo, que a construção propriamente dita.

A casa tinha a participação informal de vários arquitetos de renome a época Angelo Brunhs e até mesmo de Antônio Virzi, que é um nome especulado, e que observando as fotos pode até ser verdade, principalmente nas internas.

Vamos então a mais fotos:

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Aqui a escadaria da casa grande é vista, além de um pavimento simulando uma parte térrea central, que numa casa grande poderia abrigar cozinha e outras partes funcionais

 

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Vemos o neo-colonial em seu máximo, gelosias e muxarabis fechando as varandas, enormes pinhões nos cantos do telhado, que contava com beirais pronunciados de telhas canal. Fora osazulejos  ao rés do chão e grades simulando sensalas.

 

 

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O romântico banco de alvenaria cercado de balaústres na beira da Lagoa, com compoteiras, árvores frutíferas e um proposital descuidado gramado.

 

Nas fotos do interior, vemos o exagero do estilo, o mais impressionante é que muitas das peças eram legitimas, mas foram inseridas numa ambiente fantasioso, como o chão de granito bicolor.

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Esse post não seria o que é sem a colaboração de Carlos Ponce de Leon de Paiva que enviou algumas das fotos e da excelente matéria de Olinio Gomes P. Coelho, professor da FAU, publicada na revista do CREA-RJ de Outubro de 2008.