Vai Construir, vai na Marcovan


A Marcovan foi uma das lojas pioneiras a vender material de construção ao modo moderno onde os produtos eram tratados com pompa e circunstância em que pias, sanitários, metais, azulejos e assemelhados não deviam ser vendidos em uma escura e tumultuada loja de materias de construção, para o público alvo de engenheiros, construtoras, capatazes e arquitetos.
O material de acabamento deveria ser escolhido por todos da casa, mais precisamente pelas mulheres, como já era feito nos EUA e na Europa pósguerra. Essa nova mentalidade e o ponto comercial, extremamente bem localizado, na Rua de São José fizeram os negócios da Marcovan prosperar.
Nos anos 50 o estabelecimento já ocupava várias lojas de sobrados, curiosamente nos dois desaparecidos quarteirões da rua, o onde hoje está o Buraco do Lume e o outro entre os edifícios Avenida Central e De Paoli. O desaparecimento do primeiro quarteirão, pouco significou para a Marcovan, que ia de vento em popa.
Um de seus proprietários erguia em Botafogo uma bela casa, projetada por Francisco Bolognha, recheada de móveis modernos da Oca, Tenreiro e da Forsano, de meu pai. Nessa mesma época era inaugurada a primeira filial, no bairro de Copacabana, com projeto também de meu pai.
Mas a demolição do segundo quarteirão nos anos 70, e talvez uma política equivocada de negócios, já vislumbrada na segunda imagem, onde vemos uma inimaginável geladeira side-by-side, fizeram a loja se perder.
Os seus proprietários, vislumbravam um shopping para o lar, vendendo do azulejo até a geladeira mais sofisticada passando por todos os insumos, o que levou a loja a contrair empréstimos e realizar operações financeiras na turbulenta época pós milagre econômico. Além do mais o grupo em plena e tumultuada troca de comando de gerações ( sim o negócio era familiar, como muitos outros que sumiram em nossa cidade) resolveu implementar um programa agressivo de construção de novas lojas, principalmente uma grande Marcovan na região da Cidade Nova, no eixo da Frei Caneca, criando mais dívidias na operação.
O resultado é que a loja não resistiu ao caos dos anos 80, havendo hoje pouquíssimo a ser restaurado de sua história, como essas duas fotos da Life, tiradas do estabelecimento da Rua de São José
JBAN comentou,
Ao ver essas fotos no google, me perguntei onde seriam. Pensei em Frei Caneca é claro, mas Dr. Decourt exterminou o ofídio e apresentou a borduna.
Muiotos negócios fecharam logo após mudança ou construção de uma nova sede. É como uma síndrome. Ou é causa ou é sintoma da doença. Ambas podem matar o paciente.
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4 de fevereiro de 2009 às 10:40
Rafael Netto comentou,
Conheci a Marcovan no início dos anos 80, era uma loja grande na Av. Suburbana, no final do elevado do Metrô. Acho que na época era a maior loja do gênero na cidade.
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Decourt respondeu em fevereiro 4th, 2009 às 11:27:
Acho que essa se transformou na maior loja da rede, mas a mais rentável era a da Frei Caneca, Haddock Lobo perto do Estácio, o fato que não me lembro o local exato desta loja no início dos anos 80
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4 de fevereiro de 2009 às 11:24
Derani comentou,
Como já disse alguém que ninguém chega a conclusão de quem foi, “O Brasil é para profissionais”.
Não dá para acreditar sempre, tem que crescer a empresa, mas sempre com o pé atrás, evitando apostar num crescimento que virá, mas que sempre logo retrocede.
Tem que estar constantemente preparado para tudo.
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4 de fevereiro de 2009 às 12:00
Adriano Trindade Gomes comentou,
Numa loja na rua Major Ávila (pouco antes da sede da COMLURB) há um armário com espelho oval igual ao que aparece na primeira foto (só que amarelo).
Deve estar lá desde o tempo desta foto.
As etiquetas falam “Linha Medalion” e “espelho importado belga”.
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4 de fevereiro de 2009 às 12:11
Augusto comentou,
Assim como o JBAN, achei que as fotos eram na Frei Caneca. O nome Marcovan não me era estranho ao ver as fotos no google. Posso ter passado pela da Suburbana ou outra na dec de 80, pois não costumava passar pelo Centro nessa época. Entrei na internet procurando pelo nome e achei uma página indicando lojas em Mogi das Cruzes – SP.
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5 de fevereiro de 2009 às 0:01
Marcelo Almirante comentou,
Quanta cafonice. O pior que ainda colocam esses azulejos até o teto.
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Rafael Netto respondeu em fevereiro 5th, 2009 às 18:22:
Em 1973, não era.
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5 de fevereiro de 2009 às 18:16
Marcelo Almirante comentou,
Cafona é cafona em qualquer época. A desculpa de época não é pertinente. Em 1973 o cafona estava na moda. Loucura coletiva. Até hoje o povo troca lindas esquadrias de madeira por tétricas janelas de alumínio descaracteriando as fachadas.
Um banheiro déco continua na moda e olha que é até mais “antigo”.
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5 de fevereiro de 2009 às 22:18
Heitor Rodrigues comentou,
Hoje, 26 de Maio de 2010, entrei no google procurando a Marcovan que conheci nos anos 60, quando minha mãe fêz uma reforma no apartamento em que morávamos. Em 1973, já na faculdade, entrei para um grupo de teatro em que havia um cara – o Dutch – que era vendedor da Marcovan da Rua São José. Em 1975, quando comecei a trabalhar no Centro da cidade, almoçávamos juntos todos os dias. Êle saiu da Marcovan e eu deixei de ir ao Centro do Rio.
Hoje, resolvi procurar a loja para ajudar uma amiga que está com a reforma da cozinha parada por causa de uma caixa de cerâmica. Pensei na Marcovan. Achei uma loja de projetos em Mogi das Cruzes, e depois este site. É uma pena. Mas a vida é assim. Vou continuar procurando a cerâmica…
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26 de maio de 2010 às 10:37