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Vemos a maquete do que seria o futuro edifício sede do DER-DF a ser construído na Av. Pres. Vargas esquina com a Rua Regente Feijó.

Ao contrário de muitas maquetes esta foi de fato realizada, mas não sobre édige do Distrito Federal, mas sim pelo Estado da Guanabara. Embora as obras tenham se iniciado no final do período da cidade como sede da república e o DER, junto com a SURSAN, um dos poucos órgãos da estrutura distrital com custeio próprio, a obra, foi praticamente paralisada enquanto a “ilha da fantasia” era construída a toque de caixa e a custo de muito material de construção sendo levado de avião até os cafundós do planalto central.

Coube aos governos Lacerda e Negrão de Lima terminarem o prédio, projetado e executado inteiramente pelo corpo técnico do DER-DF, posteriormente DER-GB, que era de altíssimo gabarito.

O prédio como de costume dos prédios públicos guanabarinos da época abrigava o que mais se tinha de moderno e de bom gosto em suas instalações. Heliporto, elevadores Mark IV, vidros Ray-Ban legítimos, ar-condicionado por água gelada, luminárias Sylvania de partida rápida, jacarandá, granito negro e mármore branco nos revestimentos internos e móveis da Oca, Tenreiro, Movel Moderno. Equipamentos de última geração, inclusive sistema computadorizado de dados em terminais IBM e central telefônica Ericcson.

A função básica de tal grandiosa estrutura, com 15 andares e ocupando 1/4 de quarteirão era agregar em um só lugar todos os órgãos do DER, pulverizados em salas e prédios pela cidade. Da presidência até o arquivo tudo seria concentrado  no prédio, ficando descentralizados apenas os laboratórios na Av. Brasil e os distritos rodoviários.

O prédio está diretamente ligado à minha família, por meu pai ter participado ativamente do projeto, construção, instalação de equipamentos e compra de mobiliário e posteriores adequações como o sistema de proteção contra incêncio e anti-pânico, ausentes no projeto dos anos 50.

Acompanhou também a derrocada do prédio com a fusão, ainda discreta, e com o Socialismo Moreno, avassaladora, onde cadeiras de Sérgio Rodrigues eram destruídas por gente com status de acessoria da presidência, diretamente saídas da venda de frangos, dentre outros tipos ligados ao caudílho.

E nesse prédio se operou, como em outras centenas de endereços, o desmonte da estrutura administrativa legada pela Guanabara.

Como curiosidade, é ao lado do prédio do DER que a Regente Feijó, hoje bloqueada pela saída da Estação do Metrô Pres. Vargas, tem a sua largura conforme o Plano 1000 da década de 40.