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Voltamos à venda dos terrenos remanescentes da Linha 1 com a desculpa de financiar parte da Linha 4 do metrô carioca.

Na realidade a Linha 4 é uma grande caixa preta que envolve, primeiramente os planos políticos e eleitoreiros do governador e seu grupo e de duas grandes empreiteiras, a OAS, nova sócia da Metro-Rio e a Camargo Correia, ganhadora da licitação do trajeto original, além da Linha 3.

Vemos que a Metro-Rio entrou de cabeça nos planos políticos do sorridente e omisso governador, afinal ele prorrogou a concessão do metrô por mais 20 anos em troca da famigerada Linha 1-A e a compra de algumas composições. Mas a negociata ainda não terminou e envolve a implantação de mais um estupro a “nova Linha 4” ou Linhão, ou a minha preferida Linha 1-B.

Ou seja, esticar a Linha 1 por Ipanema, Leblon e Barra, mudando radicalmente o traçado e tirando o doce da ganhadora da licitação a Camargo Correia.

Corre a boca pequena que um emissário do governo do estado pressionou esta construtora, ameaçando que se ela tentasse impedir o novo milagre do metro para a barra o atual governo do ERJ iria melar a construção da Linha 3.

Mas para surpresa de todos a Camargo Correia falou que topava executar o traçado que o governador desejasse criando um grande impasse.

A Linha 1-B é tão perniciosa que, primeiramente, prolonga a Linha 1, já saturada e embaralhada com carros da Linha 2 circulando por ela, até a Barra da Tijuca. Criando uma demanda que ela não conseguirá absorver. Possivelmente em bairros como Copacabana e Botafogo o metrô será simplesmente impraticável. Em segundo lugar além do traçado passar por regiões de solo muito ruim que obrigará ou o Jet-grouding por boa parte do trecho de restinga, caríssimo, ou o destrutivo cut-and-cover que tantos danos criou à cidade nos anos 70. O traçado original além de lógico, por permitir até duas interseções com a Linha 1, correrá quase todo por dentro dos maciços.

Mas o que poucos sabem é que a estação Jardim Oceânico foi mudada de lugar, praticamente inviabilizando a futura expansão da linha rumo ao Cebolão, onde teoricamente teríamos um entroncamento multimodal de transportes.

Isso tudo seria se, a OAS tivesse ganho a parada, mas com o novo xeque da Camargo Correia, e por força do edital o prolongamento da super Linha 1-B não poderá ser feito em contínuo. O nosso “diretor escolar” já aventa até mesmo uma estação Gal. Osório II, onde os trens da Linha 4 pararão em um sistema distinto e os passageiros passarão para os domínios da Metro-Rio, o que inviabilizaria por exemplo o uso do metrô para o cidadão do Leblon ir ao médico em Copacabana, pois pagará mais de R$6,00, enquanto da superfície poderá ir por pouco mais de R$2,00, mantendo os ônibus na rua, o que é um absurdo.

Se a privatização foi mal feita pelo governo do PSDB, as negociatas do PMDB são simplesmente arrepiantes, fala-se em até mesmo um domínio total de todos os transportes de massa da região metropolitana na mão do que é hoje a Metro-Rio, onde temos uma grande empreiteira, dois fundos de pensão e um banco.

Enquanto a imprensa fica calada, conivente, o fim do transporte de massas sobre trilhos da nossa cidade é rascunhado em ritmo de apoio político, populismo eleitoreiro, propaganda enganosa de uma Copa e uma Olimpíada ( já vimos o filme com o Pan), e muita cara de pau, enganando o povão que vota nesses caras com artimanhas temporárias, que se realizadas poderão ser consertadas ( se for possível) com muito dinheiro e medidas de peito, algo que nossos governantes vão tendo cada vez menos.

Por isso e outras como carioca me posiciono frontalmente contra as olimpíadas, que no momento significam a mesma herança deixada pelo Pan, nada para cidade, muito para certos personagens.

O absurdo é que por causa de votos e muito dinheiro nos bolsos se abandona planos sérios, feitos por pessoas gabaritadas, com longos planos de execução e o pior, parcialmente implantados. A cidade que se dane, pois afinal sempre teremos nossos “suburbanos” para dar voto aos políticos populistas e enganadores. Como nosso querido Dudu, que agora deixa as crianças da Z. Norte em regime calórico de top model, por não fornecer merenda às escolas públicas justamente nos bairros mais necessitados e que votaram nele, antes o povo percebesse essa ironia, mas não percebe…..