autadromo

Na nossa foto de hoje mostramos o primeiro traçadop da pista de Jacarepaguá, localizada em Curicica, na então longínqua borda de Jacarepaguá.

Construído pelo EGB nos terrenos da falida Cia de Loteamentos Nova Caledônia o circuito dava um pouso definitivo ao automobolismo do Rio, que nunca tinha tido casa, sempre tendo corrido em pistas de rua, o que ficava cada vez mais perigoso e inadequado. Até o circuito da Barra, construído sobre as vias do Jardim Oceânico, nos anos 50 já estava sendo cercado de construções.

O acesso à pista nessa época ainda era precário, mas estava inserido dentro do sistema viário do Plano Lúcio Costa, o que daria fácil acesso a todos, inclusive por estações da Linha 5 do Metrô, que passaria por Gardênia Azul.

Nos anos 70 para receber a Fórmula 1 o circuito foi totalmente modernizado, sobre as regras da Fia, tanto que por muitos anos foi exemplo de pista segura e com visão integral dos espectadores nas arquibancadas.

Mas chegou o socialismo moreno, que perdeu a corrida de F-1 para São Paulo, mas o automobilismo regional e nacional usava intensamente a pista, havia meses que aconteciam provas todos os fins de semana. Mas o autódromo começou a ter um grande inimigo, a especulação imobiliária, a mesma que vem destruindo a cidade  desde o pós guerra. a necessidade de se extender as fronteiras da Barra, para perto da Estrada dos Bandeirantes encontrou um grande aliado, o ex-prefeito César Maia e seu grupo político entre eles o sub-prefeito de Jacarepguá Eduardo Paes, e o secretário de esportes Ruy Cezar. Que estão aí até agora, provando que tudo é farinha do mesmo saco e CM só foi tirar umas férias.

O autódromo foi primeiro esvaziado, perdeu-se  a Moto GP, perdeu-se a Indy, que para sua vinda foi construído um anel externo e todos os acessórios para sua operação, e depois dele esvaziado  foi a vez do abandono material, mato alto, instalações enferrujadas, arquibancadas destelhadas, torre depredada, mas uns malucos ainda o usavam 2 fim de semana por mês. O  abandono não estava dando certo, por isso medidas mais prementes eram necessárias. Começou-se então a destruição, com a farsa do Pan e agora olímpica. Tudo para iludir o eleitorado “suburbano”.

A mais nova pérola para a destruição da pista é a absurda corrida no Aterro, que além dos interesses do Nuzmann, da “sopa de letrinhas”, do PMDB envolve esferas muito mais altas como um misterioso lobbie comandado pela senhora Dilma Roussef, que tem o nome de APEX.

Para contar copio o texto do blog SOS Autódromo ( http://sosautodromorj.blogspot.com/ )

Com vocês a incômoda verdade, para os políticos:

A falcatrua anunciada
Muita gente deve estar se perguntando de onde saiu essa história de corrida no Rio de Janeiro, e de onde saiu o Helio Castro Neves, que há dois meses era quase um presidiário condenado e agora embaixador da Indy no Brasil. Quem é a APEX?

Para entendermos essa história, vamos viajar no tempo não muito longe, só um ano atrás, em 2008, pouco antes do estouro da crise e da eleição de Obama.

A APEX, que vem a ser uma agência de fomento ao comércio exterior, extensão da Casa Civil, onde Sra Dilma comanda com mão de ferro, resolveu entabular negociações com o governo Bush para exportação de etanol para colocar no mercado norte-americano.

Tudo ia bem, mas esqueceram um detalhe, Bush iria perder aquela eleição e seu sucessor, Barack, não tinha o menor interesse em tirar o pão da boca dos seus fazendeiros para entregar ao Brasil, por mais que fosse necessário. Era melhor aplicar medidas protecionistas a ficar dependendo do estrangeiro para alimentar uma área tão crucial para a economia norte-americana quanto os combustíveis.

Nesse meio tempo a APEX saiu fazendo acordos, e um deles foi o fornecimento de combustível para a IRL, que vem mal das pernas desde que ficou sendo a principal categoria de monopostos dos EUA.
Na verdade a IRL está passando por uma crise existencial-econômica, ou seja, além de ter herdado equipes e pilotos da extinta Champ Car, também herdou alguns contratos de pistas mistas, onde nunca tinha corrido antes, o que gerou divergências entre os dirigentes da categoria, pois o motivo deles terem rompido com a Cart no passado era porque a categoria estava “internacionalizada demais” para o gosto médio do norte-americano, principalmente os rednecks do interior, por onde a categoria vai viajando passando pelos autódromos de pista oval de uma milha, que existem às pencas pelos EUA e que são a base do automobilismo deles.

Com isso chegamos ao impasse que hoje reina na categoria. Com relação aos combustíveis, o contrato assinado com a APEX, em novembro de 2008, previa que a agência estatal intermediaria o fornecimento de combustível da IRL, mas tem um porém, os norte-americanos não sabem, ou não sabiam até agora, mas a estatal não é uma fornecedora de combustíveis, é apenas uma agência de fomento ao comércio exterior, um apêndice da casa civil, isso deve estar dando um rolo em Brasília, pois na verdade quem deveria estar à frente desse processo seria a Petrobrás.

Com essa confusão, entramos em 2009 com a seguinte situação:
A IRL ainda recebe o etanol fabricado pelos norte-americanos, pois o novo presidente, muito sabiamente não aceitou o acordo feito ao apagar das luzes do governo Bush, o que fez sra Dilma e o Presidente da APEX irem aos EUA agora em julho (estão lá nesse momento) tentar negociar esse contrato, porque não se trata apenas de alguns míseros milhares de litros de etanol para alimentar a IRL por um ano, mas o precedente que se abriria contra os produtores de álcool norte americanos, que se sentiriam ameaçados pela concorrência externa, e podem crer meus amigos, nesse quesito de defender a indústria local os caras são carne de pescoço.
Mas aí é que está, onde ficou o acordo da APEX com a IRL?

Não ficou, hoje a APEX compra o metanol dos produtores norte-americanos e revende para a IRL, numa manobra tão esdrúxula que seria engraçado se não fosse trágico, e que mostra o tamanho do despreparo desse bando de negociantes que foi aos EUA sem entender noções básicas de comércio exterior, se atirando em uma negociação com um governo que estava saindo, sem garantias de que seus acordos seriam aceitos pelo novo governo, que mesmo sendo em um país cujo histórico de retidão e cumprimento de regras é por demais conhecido, está à beira da falência, e que vai usar de todos os recursos para salvaguardar seus cidadãos.

Na verdade o que aconteceu é que o governo brasileiro, através da APEX, quis forçar uma barra para vender álcool e derivados no exterior, e sem a intermediação da Petrobrás, e o que é mais grave, até agora os norte-americanos pensam que a agência governamental é responsável pela comercialização de combustíveis, e o governo norte-americano não levantou a barreira fiscal de 54% sobre as importações de biocombustíveis, para preservar os produtores locais, o que obrigou a APEX a comprar combustível lá para revender para a IRL, mas mesmo assim fica anunciando que o combustível é feito aqui, o que é mentira.

O que mais choca nessa história é que milhões foram gastos por esta agência, que não prestou contas e pelo visto age na surdina, não para promover o país, mas para promover produtos de meia dúzia de empresários, incluídos aí os do setor sucro-alcoleiro do interior de São Paulo.

A situação hoje é a seguinte, foram atrás de dinheiro, querem que os usineiros de São Paulo invistam nessa prova, para mostrar para a IRL, e de quebra para o governo norte-americano, um pouco de boa vontade, já que a categoria está descendo pelo ralo, já aventaram até a hipótese de ir correr na China, o que deve estar deixando os tradicionalistas furiosos.

Como a prefeita de Ribeirão Preto disse que não tinha os 40 milhões necessários para a prova – que seriam distribuídos de várias formas, para pagar as despesas de viagem, cachê de 150 mil dólares por equipe, hospedagem, seguros, prêmios e largada e chegada, etc etc e etc, enfim, acharam tudo muito bonito, mas disseram que não dava pra eles, resolveram correr atrás daquele lindo balneário onde pode tudo. Entrou na história o nosso prefeito agogô – ou twiteiro se preferirem, que achou tudo muito bonito e saiu dizendo que “vamos fazer”, só que nesse anúncio ele atropelou um monte de coisas que têm que ser levadas em conta.

Primeiro, o Aterro do Flamengo é patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tombado por lei federal, e fiscalizado pelo IPHAN, qualquer coisa que vá acontecer lá dentro, e que necessite de intervenções sobre os jardins do parque tem que ser aprovada antes pelo órgão, basta lembrar que a Air Race, que levou quase dois milhões de pessoas para a enseada de Botafogo, provocou danos imensos ao parque, pois a grama foi impiedosamente pisoteada, árvores danificadas e jardins foram transformados em mictórios.

Então tentem imaginar uma corrida, com arquibancadas e HC’s montados sobre os gramados, o trânsito de veículos e pessoas, imaginem a multidão que iria até o local “apenas pra ouvir o barulho” porque a maioria dos bons lugares será vendida e caro, dá pra ter uma idéia do dano que isso pode causar ao parque.

Segundo, as associações de moradores dos bairros adjacentes ao parque vão ser contra essa idéia, primeiro porque isso implicará no fechamento de vias importantes do bairro, além de um fluxo de pessoas muito maior que as ruas podem suportar. Se imaginarmos que para fazer a corrida as pistas do Aterro teriam que ser fechadas na quinta-feira pelo menos, como se faria com o trânsito? Isso para não falar do barulho ensurdecedor que os carros fariam ecoando nos prédios da orla, basta ver que se acumulam reclamações contra o Santos Dumont agora que virou rota da maioria dos vôos domésticos que antes iam para o Galeão.

E tem a pior parte: o asfalto e a inclinação das pistas, quem já andou pelo Aterro percebe que a maioria das curvas tem a inclinação errada, sem falar que a ondulação do asfalto provocada pelo peso dos ônibus vai requerer um recapeamento em boa parte do trajeto, em suma, são problemas de proporções imensas, que não vejo competência nem capacidade das pessoas envolvidas em resolvê-los.

Desde janeiro eles vêm negociando secertamente essa prova, está claro que isso é a saída encontrada para promover o sucateamento de Jacarepaguá, a coisa está tão adiantada que conseguiram até mesmo que o presidente da CBA rasgasse a resolução que proibia a realização de corridas em pistas de rua em cidades que tivessem autódromo, tudo em nome do dinheiro fácil, da especulação imobiliária, mas, segundo Cleyton Pinteiro, a realização da corrida daria visibilidade ao automobilismo e facilitaria a recuperação de Jacarepaguá.

Ledo engano, meu caro. Isso só daria mais argumentos para os que querem destruir a pista, pois dirão que o Aterro é “melhor para a realização de grandes eventos” do que Jacarepaguá, com isso eles garantem as provas importantes, mas aniquilariam com o automobilismo regional, a arrancada, os track days e a motovelocidade.