Com a ajuda do acervo do Globo adentramos em território Gaulês para falar do processo de implantação do Aterro do Flamengo em duas fotos.

Como já vimos aqui no site e até mesmo nos velhos arquivos do fotolog o Aterro do Flamengo é um projeto muito mais antigo que o Governo Lacerda. Na realidade parte do Plano Agache, que previa um novo bairro no Saco da Glória e um parque, com vias de transito rápido na orla de Flamengo de Botafogo. Que também não era muita novidade, pois em 1908 já se imaginava mais um aterro na orla de Botafogo para se construir uma via de carris rápidos para Copacabana.

Com o abandono do Plano Agache pelos “revolucionários” de 30, o mesmo foi ressurgindo  dissimulado em planos seguintes, que bebiam muito na fonte do urbanista francês, com modificações.

O Aterro era um deles, e Reidy, o realizador do projeto definitivo, atuou nele desde os anos 40, sofrendo fortes pressões, principalmente da especulação imobiliária para encher o espaço de prédios e largas pistas de automóveis, algo que desagradava enormemente o arquiteto, mas como funcionário público que era tinha  obedecer o que lhe era determinado pelos ventos políticos que se apeavam no Ed. Estácio de Sá.

O projeto ia aos trancos e barrancos, só ganhando a primeira alavancada com a necessidade de se criar um espaço para as celebrações do Congresso Eucarístico, aterrou-se então o que ficou conhecido como Aterro da Glória. Logo depois do evento uma pista auxiliar a Av. Beira Mar foi aberta do Calabouço até perto do Russel, mas ainda não havia um plano definitivo, forças políticas pressionavam a então PDF para a construção de 4 pistas com mais de 16 faixas de rolamento no total, verdadeiro absurdo.

Lacerda, teve o bom senso de ouvir o arquiteto responsável, bem como Lotta Machado, paisagista de renome, que convenceram o governador que a cidade precisava mais de áreas verdes do que pistas de rolamento, foi-se então criada a Park-Way do Aterro, com pistas feitas para o tráfego em baixa velocidade. Por isso sendo realizadas com o caimento de ruas normais, sem compensação e com o meio da pista elevado com caimento igual para as sarjetas de ambos os lados.

A obra foi monumental, do aterro usando barro proveniente do desmonte do Morro de Santo Antônio, ainda na PDF, quando nem projeto definido se tinha, até a etapa final no Morro da Viúva, mediante aterro hidráulico com a areia da própria enseada. Passando depois por toda a implantação do paisagismo, projeto viário e equipamentos de lazer. Essa implantação inclusive durou décadas, principalmente se lembramos que a área do Restaurante Rios ainda estava, nos anos 70, ocupada pela fábrica de tubulões do Emissário de Ipanema e a Marina só foi implantada na segunda metade dos anos 70.

As duas fotos de  Julho de 1960  e Junho de 1961, bem no início do EGB mostra a implantação da segunda fase das pistas provisórias do Aterro, ligando o Cabouço até o Morro da Viúva no entroncamento das Avenidas Ruy Barbosa e Oswaldo Cruz, bem na Curva da Amendoeira e Praça do Índio.

Vemos a implantação de uma variante, que no trecho final foge totalmente das pistas do Aterro como o novo contorno da Praça do Índio realizado conjuntamente com o grande parque. Sua função era dar ligação com a pista, sentido Z. Sul do Aterro, que em breve teria condições de operar, em mão dupla para desafogar o transito para o Centro.

É interessante ver o conjunto de obras provisórias que visavam disciplinar o fluxo, como a mudança do controno da praça, segmentaçãoda Av. Oswaldo Cruz e já os esboços do traçado definivo na segunda foto.