Roberto Tumminelli em sua volta com o Carioca da Gema II (  http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema_2:3 ) fez uma postagem com a imagem do Municipal e a estátua conhecida como Mulher com Ânfora hoje bem deslocada na Av. Pres. Vargas, na frente da Candelária.

A estátua encomendada pelo grande prefeito Pedro Ernesto  como forma de dar uma aparência dígna ao novo exaustor do recém instalado sistema de ar-condicionado do Teatro Municipal, ficava da Praça Floriano e possuia  um conjunto déco com seu pedestal.

Mas como tantos outros monumentos ela é uma das vítimas da famosa “dança dos monumentos” que atinge estátuas, obras de arte, chafarizes etc. em nossa cidade desde o início do séc. XX com as obras de Passos.

O mais curioso desse caso é que o conjunto escultório não foi removido de pleno, em 1950 algum burocrata do PDF possivelmente quis homenagear seu compositor preferido e removeu o bronze da mulher, mantendo o pedestal, possivelmente ainda fazendo parte do sistema de refrigeração do Municipal, criando o choque de estilos que vemos nessa imagem.

O mais impressionante nessa história é que a Mulher com Ânfora foi levada para o Largo da Lapa e instalada no lago onde antes ficava a Fonte Ramos Pinto, removida para a boca do Túnel Novo. Virando um chafariz, algo não pensado por seu escultor, Humberto Cozzo.

Em 1959 um movimento de setores dos meios teatral, musical de cultural realizou uma subscrição pública para a colocação de um compositor brasileiro defronte ao Municipal. Campanha essa bem sucedida, tanto que no mesmo pedestal art-déco instalou Carlos Gomes e exilou-se Chopim em um pedestal na Praia Vermelha onde está lá até hoje.

Carlos Gomes e seu amplo pedestal serviu de palanque para os protestos estudantis pós 1964, servindo de púlpito improvisdado às inflamadas lideranças estudantis.

Com a obra do Metrô e a grande reforma patrocinada pelo governador de transição, Faria Lima, executada no Municipal e que mais uma vez alterou o sistema de ar-condicionado do teatro o exaustor do outro lado da rua foi eliminado, como também o pedestal, certamente destruído pelas britadeiras que varreram do mapa vários lugares da cidade.

Após a reurbanização Carlos Gomes resurgiu, um pouco deslocado de seu lugar original em um novo pedestal.