Hoje temos um post duplo com o Saudades do Rio que publicou uma foto no final do Leblon em 1958 ( http://fotolog.terra.com.br/luizd:2227 ) a foto fazia parte de uma reportagem de uma Fatos & Fotos ou Manchete que contava um pouco da história do Trampolim do Diabo.

A nossa foto de hoje, do arquivo da família tirada pouco depois do fim da Segunda Guerra mostra a mesma região, mas num Leblon muito mais vazio, realmente o fim da cidade ao sul, antes de continuar por São Conrado e Barrinha com propriedades de veraneio.

A foto apesar de nunca ter sido publicada nem no fotolog, nem no site, está presente no livro O Antigo Leblon de Rogério Barbosa Lima e no site da Obvio na parte da história das competições a motor o Brasil e foi tirada por meu avô em algum dia de corrida, nunca passando de uma pequena prova revelada no tamanho do negativo de 35mm, ampliada graças aos modernos scaners.

Vemos que os prédios junto a comporta do canal estavam quase todos lá, inclusive a interessante residência modernista de fachada inclinada e sobre pilotis, que não pode ser confundida com a residência de Antônio Ceppas, projetada por Jorge Machado Moreira, na praça Atahualpa, mas fora das duas imagens.

A principal diferença estava na verticalização, na época já permitida no eixo da Av. Ataulfo de Paiva, que unificava em PA´s os bairros de Leblon e Ipanema. Vemos que o Ed. Antuérpia, um bom exemplo de edifício de apartamentos, na esquina das Avenidas Ataulfo de Paiva e Visconde de Albuquerque ainda não estava construído na nossa foto, mas já de pé na foto do Saudades, como  vários outros edifícios altos que fecham a paisagem.

Vemos o pequeno sobrado que contorna o largo formado pela união da Av. Ataulfo de Paiva e Rua Dis Ferreira, criado como uma das rotundas do sistema de bondes, é  visto claramente na nossa imagem, certamente com sua utilização original, bar de apoio ao fim da linha de carris.

Vemos que na metade dos anos 40, enquanto Copacabana começava a ser predada pela especulação imobiliária o Leblon era um bairro de prédios baixos, muitos ainda em construção e cheio de terrenos baldios. Tudo muito diferente da violenta especulação imobiliária dos dias de hoje, onde uma lei de preservação urbana é torpedeada por “bem intencionados”  proprietários de pequenos prédios que alegam ter sido usurpados. Bem aqui está um claro exemplo do que era historicamente o Leblon urbano e que merece ter seu atensamento interrompido ou muito controlado, antes que vire uma nova Copacabana como Ipanema já virou e como áreas de Botafogo caminham a passos largos para virarem.

É digno de nota mencionar a quantidade de público que a corrida atraia, pela quantidade de automóveis estacionados não só por cima da ianda não urbanizada Praça Atahualpa, mas também pelas ruas em destaque toda a extenção da Av. Visconde de Albuquerque.

Uma foto para ser vista em alta, clicando-se na imagem.

Arquivo da família