Nossa pequena série de imagens de hoje mostra mais um capítulo do desaparecimento do Bairro da Misericórida, um violento incêndio, numa noite de 1951 que devorou um quarteirão inteiro, destruindo sobradões com forte influência colonial, registrados em fotos e gravuras desde o início do séc XIX, possivelmente sendo mais antigos.

Esse quarteirão era diretamente de fronte ao velho Largo do Moura, entre a continuação do Beco do Cotovelo, Rua de D. Manoel, Rua Fresca ( depois Clapp) e Travessa de D. Manoel, formando um conjunto urbano muito antigo, construído nas primeiras áreas entregues pelo mar em nossa cidade.

Tal como outras áreas em vias de demolição da cidade, como os imóveis no leito da Pres. Vargas, onde antes era a movimentada Praça XI, passando por imóveis no traçado da Av. Norte Sul o Bairro da Misericórdia, teve muitos imóveis destruídos pelo fogo que encontrava em imóveis já sub-utilizados, invadidos ou decadentes pela perda do valor da região um prato feito, em instalações elétricas ruins, materias perigosos ou habitantes sem cuidados. Depois de incendiados os imóveis não eram mais contruídos e muitas vezes o terreno nem era mais ocupado, logrando a administração seu tento de conseguir as áreas mais rapidamente possível, para suas reformas urbanas, muitas vezes desastrosas.

A primeira imagem mostra a força do incêndio visto da Rua Clapp no trecho final do Mercado tendo do outro lado o prédio do I Tribunal do Juri, até hoje de pé no local, onde podemos observas as fortes mudanças no traçado urbano nos dias de hoje.

A segunda imagem mostra o grande sobradão sendo devorado pelo fogo, os grossos rolos de fumaça preta bem como a força das labaredas indicavam a presença de material combustível e muito inflamável dentro do prédio, juntamente com assoalhos e forros de madeira.

Nesta vemos os últimos momentos de um prédio que por décadas dominou o Largo do Moura, com diversos usos.

Por fim o trabalho dos bombeiros já com o fogo dominado nos imóveis que não desabaram imediatamente com o incêndio.