Nossa foto de hoje é reveladora, mostra a urbanização da Estrada da Matriz no então Sertão Carioca. Resultado do Contrato 270 da PDF – publicado no DO de 03/01/1957 – pág 65, sendo a contratada a Cia Construtora Continental de São Paulo.

O contrato previa a urbanização da estrada, com terraplanagem, asfaltamento, construção de galerias de águas pluviais e outras obras complementares.  Mas a tal construtora executava para a inciativa privada outro projeto no local ……… onde de 1957 rumamos para 2013 !

O projeto era o do Jardim Vila Mar de Guaratiba, que constituía em 1957 o loteamento de 12.000 lotes, 100 km de ruas e avenidas, pavimentação, galerias de águas pluviais, rede de água potável, arborização e ajardinamento.

Em 1957 cem casas já haviam sido construídas e a previsão era a entrega de 30 mensais. Mas em algum momento o empreendimento desandou, como vários outros no caminho da futura Rio Santos e foi praticamente abandonado, com uma ocupação bem menos qualificada que seus idealizadores imaginavam. As áreas já ocupadas ganharam uma ocupação rala e de baixa qualidade e diversos trechos, principalmente os ribeirinhos foram invadidos.

Mas  na mesma área que vemos, na direita do Rio Piraquê,  em 2013 alguém teve a ideia de que seria a ideal para abrigar a missa do Papa na JMJ, área essa que depois de anos de sub-valorização estava tendo seu valor fundiário em muito aumentado, graças a conclusão do Túnel da Grota Funda e do engodo do BRT.  Mas havia um entrave, o velho loteamento não atendia mais às novas legislações ambientais. Mas certamente acolher os milhões de peregrinos era um motivo nobre para se desmatar a área e depois da saída do pontífice inciar um empreendimento imobiliário com verbas do governo federal, do projeto Minha Casa Minha Vida,  a desencalhando de vez .

Um sonho impossível para muitos, mas não para um dos proprietários da grande área, íntimo dos poderosos, há décadas fazendo valer seus interesses pelas sombras e impondo suas vontades aos que fingem mandar na cidade e certamente muito bem articulado com outros setores da sociedade, possivelmente com alguns bispos.

Bateu-se então o martelo para que a enorme área fosse a destinada a vigília da JMJ, a prefeitura tão empolgada torrou alguns milhões de reais para dragar rios e abrir vias para dar acesso a um terreno que em tese não era para ser ocupado, e um nebuloso COL da JMV torrou 22 milhões de reais para “ajudar” o proprietário da área a desmatar mais de 300 árvores nativas, terraplanar e aumentar a cota do terreno sufocando área de mangezal, que é área de preservação permanente.

Área esta que segundo o MP-RJ sendo de preservação permanente e segundo perícias do Instituto Carlos Éboli não poderia ser aterrada….

Tudo poderia estar bem escondido, ou só na boca de alguns chatos, que insistem há anos a denunciar as maracutaias envolvidas nos “mega eventos” que nossa cidade irá oferecer nos próximos anos.  Mas a cidade reagiu e fez chover muito em época de seca, desnudando a picaretagem !